Diz o provérbio que há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. No caso do Botafogo, cabe acrescentar uma terceira: com a atual Comissão Técnica, o time se desarruma a cada Data Fifa.
Nas três rodadas antes da parada, por exemplo, o setor defensivo parecia ter alcançado uma certa solidez. No jogo passado, contudo, voltamos a sofrer gols por erros básicos e a falhar sistematicamente na saída de bola.
A Seleção parece ter feito muito mal a Vitinho. A marcação era o seu ponto forte. Enquanto esteve em campo, ele se complicou várias vezes. O leitor vai dizer que o jogador estava sentindo o tornozelo, por conta de uma torção. Pode ser. Mas não é a primeira vez que o nosso lateral-direito, metaforicamente, pisa na bola.
E Vitinho não foi o único. Danilo errou o mais fácil e acertou o mais difícil. Barboza perdeu a segurança no jogo aéreo. Telles andou falhando também.
Foi um primeiro tempo para esquecer. Com todo respeito ao Sport, mas o Botafogo não pode levar os gols que levou. Um verdadeiro vexame.
Uma outra certeza salta aos olhos com a atuação de Jeffinho. O rapaz precisa urgentemente de um cuidado especial. Jogando do jeito que está, vai acabar comprometendo de vez a carreira.
Um outro ponto são as lesões musculares. Com Renato Paiva, e jogando três campeonatos, o Botafogo tinha uma média de 0,13. Com Davide Ancelotti, a média subiu para 0,22, quase o dobro, embora há um bom tempo só estejamos disputando o Brasileiro.
Nosso treinador havia reconhecido o erro de carga e prometeu diminuir a intensidade dos treinamentos. Parece que não o fez. Santi e Correa foram as novas vítimas, lesionados sem entrar em campo. O resultado é que o trio de armadores, que vinha buscando entrosamento, ficou restrito a Savarino, que, sem encontrar um parceiro para dialogar, teve novamente uma atuação apagada.
Apesar de tudo, há algumas lições positivas a tirar da partida David Ricardo vem crescendo a cada rodada e já é o destaque da defesa. Um belo jogador.
O grande personagem do jogo, no entanto, foi mesmo o panamenho Kadir. É bem verdade que ele só entrou cedo em campo porque Cabral anda às voltas com um problema lombar, e Chris Ramos sentiu ainda no primeiro tempo. Mas a verdade é que o garoto não negou fogo. Uma atuação de gala, coroada com o gol da virada no finalzinho, o segundo que ele notou na partida. Que continue assim,
Com a vitória suada, fomos a 55 pontos. Um novo triunfo no duelo com o Grêmio já nos põe em tese na Pré-Libertadores. E ainda temos o jogo com o Fortaleza em casa, na última rodada, quando provavelmente o time cearense já deve ter carimbado o passaporte para a Segundona.
Em resumo, a sorte sorriu ao Botafogo.
Só não convém abusar.
Rodrigo Rosa usa e abusa da Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br









