Renato Paiva leva o Fogão ao G6: eu nunca critiquei.

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Renato Paiva leva o Fogão ao G6: eu nunca critiquei.

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A primeira parte do Brasileirão terminou com o Botafogo entre os seis primeiros colocados. O alvinegro tem o terceiro melhor saldo da competição. Apesar dos dois gols sofridos ontem contra o Ceará, é a segunda defesa menos vazada do campeonato.
Mérito do treinador? Sem dúvida. Quem me acompanha aqui sabe que a brincadeira do título da crônica enuncia a mais pura verdade. Nunca engrossei o coro dos detratores do português.
Vamos ser justos. Com o elenco atual, estar no G6 é uma façanha. Renato Paiva não é nenhuma sumidade, eu concordo. Para o nível do Campeonato Brasileiro, no entanto, dá muito bem para o gasto.
As críticas choveram depois da magra vitória contra o Santos, na rodada passada. O alvinegro carioca voltou a entrar em campo com três volantes. Levou sufoco, quase não ameaçou, até ficar em superioridade numérica, no final da partida. À propósito: nunca pensei que um dia fosse dizer isto, mas… obrigado, Neymar.
O único gol da partida surgiu depois da expulsão do meio-campista do Santos, em um lance infantil. Coisas do menino Ney. O fato é que Renato Paiva levou as sobras. Cornetadas soaram estridentemente, por conta da escalação.
Analisemos o contexto. O português já havia adiantado um lateral-esquerdo, na tentativa de resolver os problemas do ataque. Sem Cuiabano e Savarino, o que fazer?
É complicado. Ponha-se no lugar do técnico. Você olha para o banco e vê Mastriani, Rwan Cruz, Elias Manoel. Dá um frio na espinha. Eu às vezes tenho pesadelos com isso, juro. Como torcedor!
Tenho certeza de que, nos treinos, Renato Paiva já experimentou outras combinações. Se não funcionou antes do jogo, como esperar que funcione durante os noventa minutos?
Encaremos a realidade. Ontem o Botafogo entrou com três atacantes. Santi Rodriguez veio de terceiro homem do meio de campo. O uruguaio até que se esforçou. Teve participação no primeiro gol, cobrou bem um escanteio. Porém, errou muito tecnicamente. Acabou saindo no começo da segunda etapa, sem gás.
O time não sentiu a sua falta. Marlon Freitas foi um gigante. Sua atuação de gala foi coroada com um gol antológico.
Alguém vai dizer que Renato Paiva desistiu da formação com três volantes por causa das críticas. Não sei se é bem o caso. Um dos defeitos do treinador é ser cabeça-dura. Creio que, mais uma vez, é preciso considerar o contexto. Jogávamos em casa. Nosso adversário tinha como característica principal o jogo defensivo. Se entrasse com a formação da partida contra o Santos, o Botafogo acabaria sendo vítima do próprio veneno.
Marcamos três gols ontem, sofremos dois, lavra de um velho conhecido, o nosso ex Pedro Raul. Cada jogo é um jogo. Cada adversário exige uma formação, uma estratégia própria.
Repito: Renato Paiva não é nenhum Ancelotti; e mesmo os grandes têm as suas falhas.
No momento, levou-nos à sexta colocação do certame. Quatro partidas de invencibilidade no Brasileiro, três com vitória. Mérito também dos atletas, que vêm se esforçando ao máximo, às vezes fora de sua posição original.
Calma, portanto. Vem por aí uma verdadeira ciranda de jogadores, a segunda do ano. Os recém-chegados, por melhores que sejam, podem custar a engrenar.
Que a torcida, mais uma vez, tenha paciência. E não mate o mensageiro, digo, o treinador.

Rodrigo Rosa é o Ancelotti da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br

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