Não, a crônica desta semana nada tem a ver com as confusões judiciais envolvendo a Eagle e a SAF. Hoje o Botafogo joga a sua sorte na Libertadores. Só uma equipe avança ao fim da partida na capital equatoriana.
Os dois últimos jogos, contra a própria LDU, adversário de hoje à noite, e contra o Palmeiras, no domingo passado, deixaram o botafoguense com algumas dúvidas em relação ao que vem sendo feito no clube.
Em primeiro lugar, o comando de ataque. Cabral nunca chegou a empolgar; mas a verdade é, sem ele, as coisas ficam ainda piores; o que nos leva finalmente a indagar: se não se pode contar com Mastriani, seu substituto natural, por que é que ele continua no elenco?
A situação da ponta direita também é intrigante. Artur só teve boas atuações este ano quando jogou como segundo atacante. O fato é que ele não tem sequer um reserva direto. Como é que, nessas circunstâncias, a Diretoria do Botafogo afirma que não pensa em contratar ninguém para a posição?
As dúvidas não param aí. Santi Rodriguez até teve uma boa atuação no primeiro tempo do jogo contra o Verdão. Depois, cansou e desapareceu. O uruguaio está desde março no elenco. Gostaríamos sinceramente de saber como é possível que ele até hoje não tenha preparo físico para jogar os noventa minutos. Se, por outro lado, a questão não é física, não estaria mais do que na hora de definir o que se passa efetivamente com o jogador?
A partida de domingo inspira outras indagações. Correa apareceu para os espectadores em duas ocasiões, desperdiçando uma chance cara a cara e errando na jogada que resultou no gol dos visitantes, o único da partida. Por que, então, ele ficou em campo até o final?
Chega-se de pergunta em pergunta a uma dúvida mais séria. O Alvinegro, com um elenco bem mais encorpado e uma tabela de final de turno mais leve, está praticamente na mesma posição em que foi deixado antes do Mundial de Clubes. Sim, o jovem Ancelotti é bem-intencionado e trabalhador; ao mesmo tempo, porém, é extremamente previsível. Falta-lhe mais do que experiência: falta-lhe criatividade e ousadia. Decididamente, ser filho de um grande técnico e trabalhar como auxiliar dele em clubes de ponta na Europa não torna ninguém automaticamente um bom treinador.
O torcedor pode comentar, saudosamente, que Igor Jesus faz muita falta neste time. Sim, nosso antigo centroavante é um tremendo jogador. Cabe lembrar, porém, que mesmo ele andava perdido no início da temporada, e só recuperou o futebol quando Artur passou a ser escalado caindo mais para o meio. Em outras palavras, é preciso armar um esquema tático que extraia o melhor de cada um; algo que requer às vezes anos de vivência na tomada de decisões.
E aí surge a pergunta mais óbvia de todo o 2025: se era para trocar de técnico no meio do ano, e não digo que não, por que não contratar alguém com mais experiência?
Mais uma vez: não estamos aqui fritando o rapaz. Puseram um aprendiz no meio do espetáculo. Ele está tentando fazer o melhor que pode, e pronto.
Não desejo que seja verdade; mas a apatia de certos atletas em campo e a aparente falta de energia da Comissão Técnica podem ser um sinal de que o time vem perdendo um componente essencial da campanha de 2024: a garra, a sede da conquista, a força de superação.
Tomara que a equipe dê uma resposta hoje em campo, que é o lugar próprio para as definições do esporte. O Botafogo precisa da premiação das quartas para encher os cofres; afinal, por incrível que pareça, o investimento deste ano foi substancial.
Estou doido para ver os jogadores me fazerem calar a boca. Vou abaixar a cabeça satisfeito.
Sim, amigos. Espero mesmo que, na altitude de Quito, a quase três mil metros acima do nível do mar, o Botafogo mostre que tem fôlego para ir mais longe em todas as competições.
Rodrigo Rosa tem todas as respostas na Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









