Se a gente for bem sincero — deixando a inocência de lado — conseguimos enxergar o real significado desse Mundial. Que gostemos ou não, é puro show-business!
Mas calma, isso está longe de ser o que você está pensando. Não estou diminuindo seu valor, muito pelo contrário: é bom, apaixonante e extremamente competitivo. Assim como o mundo do futebol que a gente ama acompanhar.
Oportunidade certa na mão errada vira desperdício. Na mão certa, vira história.
Eu sei. Estamos às vésperas do jogo mais difícil dos últimos 120 anos da nossa existência. E cá estou eu, justamente agora, pra lembrar a vocês o quanto isso tudo é especial.
Nesse exato momento, estamos todos ansiosos, olhando o relógio a cada 5 minutos na espera de chegar as 22 horas, pra talvez presenciar o nosso clube fazer história em campo de uma forma que nunca imaginávamos. É só fazer o exercício de lembrar onde estávamos a cinco anos atrás, e olhar para onde estamos agora, parece um sonho.
O mundo está parando pra nos assistir, pra nos reconhecer. E a nossa geração tem o poder de reescrever a história desse clube, fazer justiça ao seu tamanho e, enfim, carimbar sua grandeza — aquela que ficou apagada por tantos anos.
E sejamos justos: isso não aconteceria se não tivéssemos virado SAF. Com todas as ressalvas e críticas às decisões de John Textor, é visível que, além de amar esse clube, ele é um empresário de sucesso. Um gestor de empresas, de pessoas e de ações. Alguém que olhou pra um clube com R$ 32 na conta e, com trabalho, mérito e acertos, nos ajudou a chegar até aqui.
O nosso Botafogo teve sorte e competência — menções honrosas a Durcésio Mello, que soube conduzir muito bem esse processo. Isso nos faz perceber o quão importante foi cada passo dessa venda. E caso tenha duvidas é só olhar nosso vizinho de São Cristóvão que por uma venda feita pelas mãos erradas, está hoje pagando pelas gestões desastrosas do passado — e também do presente.
A SAF do Botafogo talvez seja a única entre os 12 grandes que não entrou em leilão e não foi repassada. É notório que existe um carinho, um trabalho sendo feito e reconhecer isso é dar mérito às mãos certas que guiam esse clube.
A menina dos olhos do Pai, sua preferida.
Quando Thairo Arruda, CEO do clube, deu a seguinte declaração ao GE, ficou claro:
“Vou contar um segredo aqui. Quando o John viu aquela taça linda, ele virou pra mim e disse: ‘Thairo, a gente tem que ganhar esse troféu.'”
Era nítido que aquilo parecia mais um deslumbre do acionista. O Botafogo estava completamente desorganizado no planejamento de 2025, reflexo de um incêndio instaurado pelo péssimo início de temporada. Mas naquela declaração havia algo importante: a visão de um gestor é completamente diferente da de um torcedor.
A paixão — ou obsessão — de Textor pelo Super Mundial tinha outras camadas. Externar sua preferência por esse torneio dizia mais do que o encanto pela taça. A menina dos olhos do pai carregava significados futuros. Era um investimento com retorno certo que, mesmo que ainda não esteja à vista, vai gerar uma bela e admirável vitrine pro mundo ver e aplaudir o que estamos nos tornando.
É tudo show-business! é ta tudo bem, apenas APROVEITE.
A visão de John é linda: mostrar ao mundo o tamanho desse clube. Como eu disse, é reacender a história e fazer justiça. Eu sei que tem rival se doendo nesse momento, menosprezando nossa participação com argumentos baseados apenas no resultado esportivo. Mas, por ora, não sejamos ignorantes.
Não estamos perdendo para um clube de meio de tabela do campeonato venezuelano.
Estamos jogando contra os melhores do mundo — e sendo vistos pelo mundo inteiro. Esse é o verdadeiro troféu desse campeonato.
Entendemos que há uma disparidade enorme de investimento e estrutura. Mas estamos dentro do maior show-business que o futebol já criou. E ter chegado até aqui, por mérito e trabalho duro, enfrentando clubes muito mais ricos, mostra pra nós mesmos que somos capazes de chegar onde quisermos — onde nunca antes estivemos.
Para Textor, é a marca Botafogo sendo exposta. A única do seu grupo de multiclubes no Mundial. O patinho feio da Eagle. O maior problema financeiro virando o maior caso de sucesso.
Afinal, o Lyon não está lá. E os problemas por lá dizem mais sobre o modelo francês do que sobre o clube em si.
Já o Botafogo, pela sua força e sua história, virou um case de sucesso da Eagle. Hoje chama atenção, atrai investimento e investidores. Afinal, a holding está sendo registrada como uma IPO (Initial Public Offering, ou “oferta inicial de ações”). E isso é um baita chamariz.
Então, irmãos de camisa, aproveitem esse momento. Mesmo que fiquemos putos com o resultado de um jogo contra o melhor time do mundo, saibam: já somos vencedores.
Afinal, na arte do show-business, o Botafogo já saiu campeão.








