Foram seis jogos. Cinco vitórias. Quinze gols marcados, apenas quatro sofridos.
O alvinegro mudou a sua cara desde a vitória contra o Fluminense. O que se passou?
Já tocamos aqui no ponto essencial. O time jogava em 2024 com um quarteto ofensivo de muita movimentação. Almada e Savarino se revezavam na armação. Igor Jesus se deslocava abrindo espaços. Luiz Henrique e o próprio Savarino fechavam para finalizar.
Com a saída do Pantera e do meia argentino, o panorama tático se alterou completamente. Savarino foi deslocado para o meio; Igor Jesus ficou perdido na movimentação; Artur não ocupava o espaço; como resultado, o comando de ataque ficava vago, as jogadas não tinham seguimento. O Botafogo era presa fácil. Seu ataque passava em branco.
Há males que vêm para bem, diz o ditado. A contusão de Savarino pôs uma dificuldade extra nas mãos do técnico. Sem recursos, Renato Paiva viu-se obrigado a apelar para a imaginação.
Sua solução foi ousada. O treinador português adiantou Cuiabano; usando Rwan Cruz ou o próprio Artur, passou a jogar com dois centroavantes. Na realidade, toda a equipe passou a se postar mais à frente; os laterais avançam, marcam presença no campo adversário. Vitinho já marcou; Alex Telles também.
As ligações rápidas foram compensando a falta de meias. Marlon voltou a fazer das suas: lançamentos verticais, entre as linhas, pegando a defesa adversária desprevenida.
Os gols da espetacular vitória de ontem, contra o Estudiantes, foram emblemáticos. No primeiro, é Jair, adiantado, que lança Artur, deslocado pela esquerda; ele apara e cruza com a esquerda, sem deixar a bola cair; mergulhando no segundo pau, Rwan completa para as redes. No terceiro, Marlon mete de primeira, do campo defensivo; Artur, agora na direita, já mata dando uma caneta no defensor e parte para a finalização.
Em resumo: ligações diretas, deslocamento constante no ataque, avanço em bloco quando o time tem a bola. Parece que o Botafogo vai encontrando o seu jeito de jogar.
Mérito do técnico, dedicação dos jogadores. Cuiabano está dando tudo na nova função; Artur parece ter encontrado o seu melhor futebol; os laterais correm em dobro, os zagueiros ocupam todos os espaços do campo.
A vitória de ontem poderia ter sido mais tranquila. A equipe ainda peca em certos momentos do jogo, como se apagasse de repente. O caminho, porém, depois de seis partidas, parece mais ou menos definido.
A classificação na Libertadores só depende de nós. A recuperação no Brasileiro ainda é possível. Com Wendel e Savarino, teremos um elenco com outras opções táticas.
Quem sabe o que o futuro nos reserva…
Rodrigo Rosa é conselheiro tático da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









