Numa tarde de quarta-feira, há 52 anos, o Maracanã se preparava para viver uma festa em vermelho e preto. Afinal, o rival completava exatos 77 anos naquele dia, e uma vitória no clássico contra o Botafogo era aguardada como cereja do bolo daquele dia. Motivos para estar otimistas eles tinham, afinal, vinham de 3 vitórias nas últimas 4 partidas pelo Brasileirão. Mas o velho Manga já dizia, contra o Flamengo, “O bicho era certo.”
Eram dias movimentados em General Severiano. Na véspera da partida, o clube estava agitado devido as eleições que elegeriam o novo presidente. A campanha no Brasileirão era irregular, com apenas 3 vitórias nas 8 partidas anteriores a este clássico. Mas, às 17 horas do dia 15/11/1972, os 46.279 presentes no então maior estádio do mundo ficaram assombrados com o que os craques alvinegros fizeram. Logo aos 2 minutos de partida, um prenuncio do que viria pela frente já era observado, quando Carlos Roberto perdeu um gol sem goleiro. Mas daí para frente, o Glorioso não perdoou mais seu adversário. Aos 17, o Furacão Jairzinho pegou um rebote da zaga adversária, e abriu o placar.
A partir daí, surgiu um dos grandes nomes daquele dia. Aos 34, El Lobo Fischer escorou um cruzamento de Zequinha para ampliar o marcador. E o argentino não parou por aí, pois logo depois, aos 41, veio o terceiro, quando ele novamente escorou um cruzamento de Zequinha, desta vez usando a cabeça.
No banco de reservas do adversário, o técnico Zagallo mau podia acreditar no nó tático que seu pupilo, Sebastião Leônidas, estava aplicando. A parada para o intervalo poderia ser uma última esperança para que ele pudesse ajustar seu time. Mas foi em vão. Todas as feras alvinegras resolveram jogar como nunca. O encapetado Jairzinho voltou com tudo no 2º tempo, ampliando a vantagem para 5×0, marcando seu segundo gol no jogo, aos 69, e completando o hat trick, aos 81’, este um golaço de letra.
A última pá de cal, porém estava guardada para antepenúltimo minuto de partida, quando Ferreti pegou rebote do goleiro Renato para fechar o marcador. Naquele momento, o Glorioso fazia história, ao impor ao seu principal adversário sua maior derrota desde a profissionalização do futebol no Brasil.
O resultado acabou sendo um divisor de águas para as duas equipes naquela competição. O Botafogo, irregular até então, arrancou para uma sequência de 5 vitórias nas últimas 9 partidas daquela edição do Brasileirão, ficando com o vice-campeonato. Já o rival obteve apenas mais 2 vitórias naquele certame, não conseguindo sequer chegar às semifinais da competição.
Por anos a fio, a torcida alvinegra soube explorar muito bem essa vitória épica. Infelizmente, gestões desastrosas fizeram com que, com o passar do tempo, o Botafogo acabasse perdendo um pouco do amplo domínio que tinha no confronto com seu rival. Mas nossa nova fase vem para provar que, com estrutura e organização, poderemos continuar sempre revivendo festas maravilhosas como estas. Nesse ano já foram 4. Quem sabe 2025 não nos reserva algo ainda mais grandioso?

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