O poeta é um fingidor, dizia Fernando Pessoa. Não só o poeta, vemos agora.
O Botafogo é hoje o maior exemplo. John Textor finge que administra. Anselmi finge que está na Premier Ligue. Vários jogadores do elenco fingem que ainda são profissionais do futebol, embora pareçam mais ex-atletas em atividade.
. Não se trata de buscar culpados, mas de entender a configuração do momento. O Alvinegro foi eliminado da Libertadores por um time sem muita expressão no Equador. A SAF está demitindo até os guardadores de carros da porta de General Severiano, que nem trabalham no clube. Só o processo da Ares na Justiça do Rio deve ter umas cem mil páginas. Agora vamos de Shakespeare: há algo de reino no podre da Dinamarca. Ou coisa parecida.
Não é brincadeira. Percebam as evidências. Telles e Barboza, por exemplo, os dois maiores líderes do atual elenco, andam lavando roupa suja direto na imprensa. Quando a coisa chega a esse ponto, há muito mais nos bastidores do que podemos supor à primeira vista.
Nosso treinador perdeu visivelmente o controle do time. Nem ele parece acreditar mais em seu esquema. É evidente que os goleiros têm cometido falhas. Só que a equipe já vem com Linck e Neto desde o ano passado, sem perder tantos jogos. A verdade é que a defesa fica exposta com o novo desenho tático; e as improvisações só contribuem para piorar o cenário.
O que virá em seguida? A demissão de Anselmi? Sem um bom goleiro, um centroavante eficiente, um lateral esquerdo reserva, dentre outras carências, o time fica na mesma, seja qual for a Comissão Técnica.
Textor precisa resolver urgentemente as suas pendências com a Ares. O Associativo tem de descer do muro. O time deve passar por uma mudança geral de mentalidade.
Do contrário, é só questão de tempo.
De fingimento em fingimento, vamos da eliminação da Libertadores a coisa muito mais séria.
Rodrigo Rosa é poeta e fingidor da Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br









