Em todos esses anos acompanhando o Botafogo, já assistimos a elencos ruins. Times tão pobres tecnicamente que tinha jogador tropeçando na própria perna e caindo de cara no chão. Mas jamais, em toda a minha vida acompanhando esse clube, me deparei com um elenco tão desinteressado.
Um elenco que parece não se importar nem consigo mesmo.
Estamos diante de jogadores que não se importam em passar vergonha. Que parecem ter se acostumado à própria mediocridade e, pior, se conformado com ela.
Assistir ao Botafogo jogar hoje pode ser resumido a 90 minutos de constrangimento.
O que foi mais uma partida de 90 minutos do Arthur Cabral em campo sem acertar o gol uma vez sequer, senão o mesmo de sempre? O estado físico do Alex Telles é de dar dó, assim como ele, o restante do elenco. Hoje, o Botafogo é o pior time do campeonato, seja pelo futebol que apresenta, seja pela condição física.
O Patrick, do Remo, aos 34 anos e com mais de 80 kg, conseguiu driblar e correr levando vantagem sobre dois jogadores do Botafogo.
E sinceramente, como se pede dignidade a alguém? Como se cobra brio de quem parece não se incomodar com o próprio fracasso?
“Ah, mas eles saíram tristes de campo.”
Parabéns? Querem aplausos por ficarem tristes depois de mais uma derrota para um time que está no Z4
A derrota faz parte do futebol, mas a apatia é uma escolha.
No fim das contas, talvez seja justamente isso que mais me revolte. Não apenas olhar para o campo e perceber que o Botafogo é inferior a qualquer adversário. Mas também, não conseguir enxergar um time minimamente incomodado com a própria inferioridade.
Porque muita coisa no futebol se compensa com esforço. Com entrega, intensidade, disposição para correr mais e deixar tudo em campo, mesmo quando a qualidade técnica não é suficiente. Nem sempre o melhor time vence, mas é difícil aceitar que um time sequer demonstre vontade de lutar para mudar a própria realidade.
E é isso que mais me assusta nesse Botafogo. Não é só a limitação técnica, a falta de preparo físico ou a sequência de resultados ruins. É a impressão de que nada disso parece suficiente para despertar uma reação. Como se perder fosse apenas mais um compromisso cumprido.








