Porque não devemos minimizar a punição da FIFA

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Porque não devemos minimizar a punição da FIFA

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O torcedor do Botafogo recebeu um estranho presente de final de ano. Nosso clube foi punido pela FIFA com um transfer ban que se estende por três janelas, e só termina em 2027.

O desastre, cabe dizer, estava amplamente anunciado. O Botafogo devia parte substancial da compra de Thiago Almada e discutia o caso na Justiça norte-americana. O Atlanta United, time que detinha o passe do meio-campista argentino, ameaçou ir à FIFA. Tratativas finais entre os litigantes se alongaram por quase um mês, sem resultado prático. O evitável aconteceu.

Comentários pululam agora nas redes, tentando muitas vezes minimizar o evento. É preciso, no entanto, analisar o fato de forma bem específica, antes de banalizá-lo.

Um dos argumentos mais frequentes, pasmem, é que o Corinthians permanece há um bom tempo sob a mesma penalização. Trata-se, no caso, de uma péssima comparação. O time paulista é um exemplo caricato de gestão. As SAFs, ao contrário, surgiram para profissionalizar o futebol. Que o Botafogo se equipare agora com clubes onde reina o improviso e o amadorismo é, no mínimo, ultrajante. Mais do que isso: estamos oferecendo de bandeja os argumentos que os detratores das SAFs tanto desejam.

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Claro que a punição deve ser cancelada em breve. Um acordo está provavelmente sendo costurado nos bastidores. O acerto depende, basicamente, de um parcelamento da dívida, já que o Botafogo, no momento, não tem recursos para quitar o montante à vista.

O mal, no entanto, está feito. A reputação do Botafogo foi atingida. A própria Direção se queixava há pouco de que as manobras do Associativo na Justiça estavam prejudicando o clube no mercado. O que dizer agora, com mais de uma semana de punição oficial, amplamente divulgada pela mídia internacional?

Observemos por um momento as consequências. O Campeonato Brasileiro começa em menos de três semanas. A pré-temporada praticamente inexiste. Certas negociações de jogadores, que andavam em curso, foram pausadas. O meio-campista Medina, do Estudiantes, por exemplo, ainda não se apresentou, embora, em tese, já tenha acertado o negócio.

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Tudo isso gera insegurança e atrapalha o trabalho da Comissão Técnica. Anselmi deve estar arrancando os cabelos. Se o imbróglio se estender, o argentino com certeza vai começar a sentir uma ponta de arrependimento por suas escolhas.

O prejuízo acaba se refletindo nas receitas do clube. Cancelamento de planos de sócio-torcedor, estádios vazios. A culpa é dos botafoguenses?

É evidente que um transfer ban não é o fim do Botafogo. A história do clube está marcada por desmandos e erros ainda maiores. Só que caberia à SAF pôr um ponto final nessa trajetória de absurdos.

Os torcedores continuam à espera de uma resposta. Que ela venha rápido: e que seja definitiva.

 

Rodrigo Rosa já reverteu o transfer ban na Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br

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