A derrota acachapante do nosso Glorioso na decisão da Supercopa Rei, no último domingo, levou a torcida à loucura. E não é para menos.
O alvinegro foi literalmente atropelado por seu arqui-rival carioca, o Flamengo.
É como se de uma hora para outra o Homem-Aranha levasse uma surra implacável do Duende Verde, ou como se o Batman apanhasse feio do Coringa, sem aviso nem refresco.
A SAF do Botafogo, no entanto, permaneceu irredutível.Textor deu entrevista na ESPN, logo após a partida, sem demonstrar nenhum arrependimento pela morosidade do planejamento.
Os torcedores se dividem. As dúvidas se acumulam. Ainda é possível ter confiança? Ou a embarcação, sem piloto ou rumo certo, caminha inapelavelmente para o naufrágio?
É lícito acreditar que 2024 tenha sido não um ano de excelência, mas um ano de exceção?
Antes de mais nada, devagar com o andor.
A atitude dos botafoguenses nas redes parece se resumir a um acalorado debate entre os arautos de um caos inevitável e os quietistas, gente escaldada por longos períodos de miséria, que recomenda o silêncio das críticas com o argumento de não espantar o peixe, ou seja, o nosso patrocinador.
Como se a mera argumentação negativa fosse capaz de precipitar o desastre.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Claro que incomoda perder para os rivais. Mas o futebol não se resume a uma taça, não se esgota em uma fraca exibição, ainda que ela tenha acontecido em um jogo decisivo.
Temos uma base. Estamos no começo da temporada. E, mal ou bem, ainda somos campeões dos dois principais troféus de 2024.
Há decerto muito ruído, conversa de sobra, ação de menos. De qualquer modo, é cedo para condenar.
O mercado do futebol é difícil na primeira janela. Pagamos o preço de sermos uma entidade relativamente jovem em sua reaparição.
A verdade é uma só: o Botafogo incomoda. As mentiras, os exageros brotam em toda parte: certos setores da mídia não perdoam o nosso atrevimento. Estávamos tão quietos e comportados na série B. Nosso declínio era dado como irreparável. Contavam-se as temporadas para a nossa desaparição.
É por isso que temos de parar para uma reflexão. Nem tudo são flores neste início de ano, é certo. Duvidar é legítimo, discordar nunca foi nem pode ser proibido.
A crítica não pode ser vista como um sortilégio, um agouro capaz de quebrar o encanto mágico, a ponto de romper os laços da SAF com o clube.
Os erros de percurso precisam ser redimidos. Cabe argumentar, sim, mas sem querer impor ideias e atitudes derrotistas.
Em outras palavras, ainda estamos na rota. A meio termo. Precisamos de um técnico; necessitamos de um comando firme, de um pulso forte que nos leve ao mar tranquilo, ao ponto além da tormenta.
Cobrar não é destruir, contudo; assim como esperar não significa conceder.
Nomes vão, nomes vêm. O tempo passa. Especulações surgem do nada, para se dissolver em seguida. Se formos crer nas novidades da mídia, quantos treinadores o Botafogo já teve, desde a saída de Arthur Jorge?
A ansiedade é compreensível. Por força das circunstâncias, estamos habituados ao pior.
E, no entanto, resistimos quando já não havia quase chance de prosseguir.
O Botafogo é exatamente esse ressurgir contra todas as possibilidades.
Já fizemos o mais difícil. O clube às vésperas de fechar as portas venceu ano passado as competições mais importantes do continente.
Resta ter paciência; resta crer além dos nossos medos e da nossa insegurança.
Torcer é basicamente essa ousadia, essa coragem de acreditar na virada, quando tudo parece mostrar o contrário.
E, nesse sentido, depois de décadas de sofrimento, pode-se dizer que não há torcida mais corajosa e ousada que a do Botafogo.
Rodrigo Rosa torce para o time da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









