O Botafogo encantou a todos os amantes do esporte na quinta-feira passada, com uma goleada de 4 a 0 sobre o Cruzeiro de Tite. Futebol vistoso, ofensivo, com troca de posições, transições rápidas, muita combatividade.
Na partida seguinte, fora de casa, uma decepção. O time foi para o intervalo vencendo o Grêmio por 2 a 1. Luís Castro corrigiu o posicionamento de sua equipe e o Botafogo sofreu um apagão defensivo. Como castigo, acabamos perdendo por 5 a 3.
O contraste surpreende? Nem tanto. O Botafogo corria riscos evidentes. Deu no que deu.
Anselmi chamou a atenção em todas as coletivas para a necessidade de um elenco mais amplo. O clube atravessa um momento de total indefinição. É inevitável: que, uma hora ou outra, a conta chegue.
Não se trata aqui de isentar o treinador de qualquer responsabilidade pela derrota. O esquema de linhas altas de Anselmi traz os seus riscos. A questão defensiva sempre foi um ponto de atenção nas equipes que o técnico argentino comandou. Ainda mais quando as peças de que ele dispõe não se adequam ao desenho tático proposto.
Ponte como zagueiro é uma improvisação duvidosa. O forte do jogador uruguaio nunca foi a marcação. Newton também não passa muita confiança na zaga. Pelo lado esquerdo, Barboza, em um esquema de alas que se lançam ao ataque constantemente, torna-se um ponto vulnerável. É um jogador lento para encarar pontas velozes, no mano a mano.
Castro fez a leitura correta. O Grêmio voltou do vestiário mais compacto, tocando a bola de trás, quebrando linhas. Com marcação muito avançada e volantes soltos, o Botafogo ficou desprotegido e terminou por levar um verdadeiro baile.
É hora de repensar estratégias. Um grande técnico não é o gênio que sabe implantar o seu desenho tático a ferro e fogo: é o comandante experimentado, que que sabe variar o esquema de acordo com as situações de jogo.
Anselmi é relativamente jovem. Sua carreira ainda não deslanchou. Natural que tenha um certo ímpeto em provar absolutamente o seu ponto. Só não precisa fazer isso todo o tempo. No futebol, como na música, vale mais ser versátil para criar variações do que insistir em bater na mesma tecla, em qualquer ocasião.
O Botafogo saiu vencendo no intervalo. Que necessidade tinha de atacar desbragadamente no segundo tempo, deixando a defesa inteiramente exposta?
Não se trata de pregar a retranca. Tratar-se, ao contrário, de aprender a administrar o momento favorável. O Grêmio estava perdendo diante de sua torcida. Bastava esperar que a própria afobação da equipe gaúcha fizesse o serviço. Recuando um pouco, o Botafogo poderia aproveitar os espaços que eventualmente surgiriam para matar o jogo.
Paradoxalmente, foi o Botafogo quem se afobou, quem deu espaços para o contragolpe. O placar final mostrou que a estratégia heroica do time foi totalmente infundada.
Coragem demais, caro torcedor, às vezes passa por temeridade.
Outros problemas se anunciam na sequência. Perdemos Marçal. Santi saiu contundido. O que vai ser da equipe?
Talvez a partida sirva de lição não só para o treinador, mas para o dono do clube. Uma estratégia temerária também pode se mostrar bastante prejudicial nos negócios.
Há momentos em que mais vale resguardar o que se tem do que arriscar todo o patrimônio conquistado em novas empreitadas, sem a devida cautela.
Será que deu para entender?
Rodrigo Rosa segue variando na Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









