Franclim Carvalho faz hoje a sua estreia no comando da equipe do Botafogo no Nilton Santos, contra o Caracas, pela Copa Sul Americana. O Alvinegro vem de duas vitórias no Brasileiro, sob a orientação de Bellão, técnico interino. O que o torcedor pode esperar a partir de agora?
Cabe, em primeiro lugar, ver as coisas como elas são. Ao contrário do que vinha sendo veiculado pela mídia, a Diretoria fez novamente uma aposta. Franclim foi auxiliar de Artur Jorge na temporada mágica de 2024; mas não tem qualquer experiência como treinador.
Já percebemos com Davide Ancelotti que as funções não se misturam. Por mais que o trabalho de auxiliar ofereça oportunidades de compreender esquemas táticos e alternativas de jogo, a coisa se torna inteiramente diferente quando é necessário tomar decisões imediatas, com toda a responsabilidade nos ombros.
Franclim, obviamente, já de cara, leva corpos de vantagem sobre Ancelotti. O português conhece bem o Botafogo; a estrutura, os principais jogadores e, mais importante, o futebol sul-americano. Em sua entrevista de apresentação, mostrou identificação com o clube. Isso basta?
É preciso um pouco mais. O calendário é cruel. Os treinamentos são escassos. Implementar novas ideias no meio da turbulência não é fácil. Franclim vai ter de aprender fazendo. Os jogadores também.
Entra aí um complicador. Pelo que revelou na entrevista, o novo treinador traz de volta a ideia do Botafogo Way. Nas duas últimas partidas, Bellão recorreu a uma formação tática mais reativa, com linhas baixas, sem tanta preocupação com a posse de bola. Deu certo.
Não é que um esquema mais propositivo esteja necessariamente condenado ao fracasso. A questão é que, nessa ciranda de técnicos, os jogadores acabam perdidos. Anselmi insistia no jogo posicional. Andou improvisando ao extremo. O interino fez o básico com honestidade. Agora mudam-se os tempos, mudam-se de novo as vontades, como diria Camões. É muita reviravolta em pouco tempo. Difícil assimilar.
A situação financeira calamitosa do clube certamente influenciou na escolha de um iniciante, em detrimento de nomes mais consagrados. Por outro lado, cabe lembrar, ninguém aqui tem o dom da premonição. Franclim é bem-intencionado e pode obter resultados rápidos. A verdade, contudo, é uma só. Quando opta por um treinador sem experiência, em princípio, a Diretoria está apostando necessariamente em um trabalho a médio e longo prazo. O problema é que não temos no momento uma situação tão confortável assim na tabela do Brasileirão. O Botafogo andou flertando com o Z4. Conseguiu uma folga momentânea. Precisa de resultados imediatos para respirar um pouco.
A receita, no fundo, é sempre a mesma: bom senso. Algo que faltou a Anselmi, e que esperamos que não falte ao novo técnico.
Transformações bruscas e teimosia não levam a bom porto. Flexibilidade e diálogo são ingredientes básicos de um trabalho de sucesso.
No mais, vamos torcer para que, hoje à noite, Franclim comece com o pé direito em sua nova função. E que o time inicie uma trajetória vitoriosa na Sula.
Rodrigo Rosa é responsável pela comissão técnica da Nova Escrita. http://www.novaescrita. art.br









