O Alvinegro levou de três do Flamengo no fim de semana jogando em casa. Ontem, perdeu por 2 a 1 para o Palmeiras no Allianz. Há algo em comum entre essas três equipes?
Pasmem. Segundo recente avaliação, Palmeiras, Flamengo e Botafogo, nessa ordem, possuem os elencos mais valiosos do Brasil.
As semelhanças, é claro, terminam aí. Enquanto nossos adversários ocupam o topo da tabela, o Botafogo amarga o décimo oitavo lugar, na zona de rebaixamento.
Culpa do atual treinador? Em parte. Anselmi tem boas ideias, mas se perdeu completamente; e já não parece capaz de reverter a situação.
Quando olhamos para o desempenho de certos jogadores, contudo, percebemos que o problema tem raízes mais profundas. Cabral, Correa, Artur, por exemplo, jamais mostraram um futebol condizente com um time de primeira divisão. O marasmo, aos poucos, vai contaminando os mais jovens. Talentos como Barrera e Montoro vêm decaindo nos últimos jogos. O Botafogo vai se tornando um cemitério de carreiras. Já vimos esse filme.
O ambiente é de total incerteza. A arbitragem da briga entre e Ares e Textor pode ser decidida em sessenta dias. O resultado é uma incógnita. Quem vai mandar na SAF em alguns meses? Textor, os fundos abutres que ele quer trazer para dentro da sociedade ou um terceiro elemento?
A situação é bem mais confusa do que parece. Relatos dão conta de que, há cerca de alguns meses, o Botafogo esteve para ser arrematado por um grande banco, que reestruturaria o clube para depois vendê-lo.
O jogo extracampo é embolado. O Social permitiu um empréstimo a juros escorchantes, que tornaria o Botafogo dependente de Textor e de seus parceiros. Agora, reluta em permitir a entrada dos novos credores. A operação, mesmo que concluída, é passível de anulação na Justiça. O dinheiro que vai entrar, de qualquer modo, não resolve a questão. Segundo consta, o Botafogo tem dívidas de curto prazo que giram em torno de 600 milhões de reais.
Estamos em atraso nas prestações de Almada. O Zenit cobrou o Botafogo na FIFA por conta do pagamento de Artur. Há o processo do Betis. Direitos de imagem estão atrasados novamente. A eliminação na Libertadores aperta ainda mais o caixa. E agora, José, digo, John?
Trocar de técnico é só um detalhe da trama. O enredo é complexo e cheio de reviravoltas.
Sem um acordo com a Ares, Textor vai continuar a fazer o Botafogo refém de suas querelas. O clube parece um barco prestes a naufragar, que vai sendo remendado de todos os lados e continua fazendo água.
Enquanto isso, no campo, vamos acumulando fracassos.
De nada adianta ter um elenco valioso, se não sabemos dar valor ao que temos.
O Botafogo é o retrato de sua gestão. E não há de ser um comandante ou outro a dar jeito em uma nau que vai a pique.
Rodrigo Rosa segue no comando da Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br









