O Botafogo de Futebol e Regatas é maior do que a Eagle

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O Botafogo de Futebol e Regatas é maior do que a Eagle

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Quando a coisa aperta, recorro ao meu procedimento habitual: entro em contato com o meu conselheiro espiritual para assuntos futebolísticos, o Maneco, botafoguense da gema, dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Minha videochamada pegou meu amigo ainda na cama, tonto de sono.

Maneco sentou-se na beirada do leito, ainda enrolado na bandeira que lhe serve de lençol.

– Neco, desculpa. Não sabia que você ainda estava dormindo. – eu comecei.

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Ele deu um bocejo e coçou o cocuruto.

– Enchi a cara ontem de madrugada. Para esquecer. – ele me respondeu.

– A situação anda mesmo esquisita. Você viu o noticiário da semana? Toda essa briga entre o Textor e os investidores…quase deram um golpe na Eagle.

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Maneco balançou a cabeça, contrariado.

– Quer saber a conclusão que eu cheguei, Digo? Isso não importa. – ele retrucou.

A frase me pegou de surpresa.

– Não importa?

– Não. – ele confirmou – O Botafogo é maior do que toda essa confusão.

Era um ponto a considerar. Deixei que ele completasse o raciocínio.

– Digo, eu já vi muita coisa. As roubadas de bola de Nílton Santos, na classe, na categoria. A folha seca de Didi. Garrincha entortando os marcadores. Já vi muita desgraça também. Times lamentáveis. Sabe o que é assistir a Botafogo e Ferroviária empatando de zero a zero pelo Brasileiro, numa quarta-feira à noite, com o estádio vazio?

Sim, eu sabia. Porque esse foi o roteiro da minha geração.

– Carlito Rocha, Charles Borer, Bebeto, Montenegro, Emil Pinheiro. Bons presidentes e grandes canalhas passaram pelo clube. E o Botafogo sobreviveu.

– Mas agora, com John Textor… – eu contrapus.

Maneco fez um gesto de enfado; e não me deixou prosseguir.

– Ele um dia vai passar também. E haverá vida depois da Eagle.

– Mas, antes da SAF, nós quase… – eu quis argumentar.

Maneco me interrompeu novamente.

– O Botafogo não pertence a John Textor, nem ao fundo Ares, nem a Michelle Kang. Ele pertence aos torcedores. Nosso clube brilha no milagre das arquibancadas. Nos cantos da torcida. No pai que abraça o filho após o gol do título. No supersticioso que cruza os dedos e vira o rosto na hora do pênalti. No riso da vitória e nas lágrimas da derrota. Na alma, no corpo; no coração de todos.

Ele ajeitou os óculos no nariz, para em seguida arrematar:

– O Botafogo é cada um de nós.

Era uma fala e tanto. Mas eu precisava desfiar meus argumentos.

– Neco, não se pode ignorar o bem que a SAF fez ao Botafogo.

– E quem disse que eu ignoro? Enquanto Textor fizer bem ao clube, sou grato a ele. Só não vamos perder de vista o poder da instituição. Ninguém faz nada de graça, Digo. O Botafogo tem torcedores espalhados pelo Brasil inteiro. É uma marca de respeito, conhecida no exterior. Se alguém veio investir no clube, não foi à toa.

– Mas… – eu gaguejei.

Maneco resolveu dar por terminada a conversa.

– Vamos resumir a coisa, amigo? No meio dessa briga toda…entre John Textor, o fundo Ares, Michelle Kang e toda a gangue, sabe por quem eu torço?

Ele apanhou nas mãos o escudo da bandeira, antes de finalizar:

– Torço pelo Time da Estrela Solitária.

 

Rodrigo Rosa é do tamanho da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br

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