Futebol e Saúde Mental – Uma Conversa Necessária

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Futebol e Saúde Mental – Uma Conversa Necessária

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Senta aqui. Vamos ter uma conversa difícil
Talvez esse assunto nunca tenha sido tão debatido no meio do futebol, ainda mais nos tempos atuais, quando problemas emocionais e psicológicos afetam inúmeros brasileiros. A mudança na forma de consumir esse esporte, atrelado ao período mais alarmante da historia quando o assunto é saúde mental faz o tema merecer mais atenção, e por mais exposto que esteja, ainda falta discernimento para entender como isso nos afeta, da arquibancada ao dia a dia.

Da cultura aos laços

Todos nós, botafoguenses, temos uma história de como fomos escolhidos. Alguns influenciado por familiares, outros por amigos, e há os que simplesmente entenderam por si só que nasceram para amar esse clube – meu caso. Filho de pai flamenguista e mãe vascaína, na primeira vez que assisti a um jogo de futebol na vida já sabia o que queria, ou melhor, a quem amava. Um amor puro, plantado na inocência de uma criança impregnada pela cultura brasileira de idolatrar esse esporte. e vamos falar a verdade, quem não ama um domingo de clássico com churrasco antes do jogo, provavelmente não sabe o que é cultivar laços através do futebol. Essa forma de viver o esporte e essa paixão pelo clube plantada sem a menor explicação trouxe uma ligação única e eterna, que acumula histórias, conexões e gerações. Triste é quem nunca recebeu um abraço de desconhecido cheirando a cerveja no momento do gol, Ou quem nunca levou o filho ao estádio pela primeira vez e viu seus olhos brilharem, podendo ensinar sobre a dor da derrota junto a lição da superação.
O futebol nos ensina mais sobre a vida do que a vida sobre o futebol. As relações são o centro, As reclamações são momentâneas e o foco sempre foi alimentar esse sentimento bom entre torcedor e seu clube de coração, essa relação nos dá mais do que tira, sendo essa a forma mais saudável de se consumir esse esporte.

E quando nos tira mais do que dá?

No mundo atual, a era digital tomou conta de tudo e controla não só o que consumimos, mas como consumimos. O esporte foi um dos meios mais afetados. Afinal, se lucra muito com paixão e a fé – e até quem identifica esse mecanismo não está imune. Afinal quem não acredita em algo ou ama alguma coisa? O mercado esportivo entendeu isso. Nunca se consumiu tanto futebol de forma tão desenfreada.
Nesse tempo nasceu influencers, se consolidaram páginas e soteristas, e com eles vieram narrativas, opiniões e uma explosão de informações que tomaram o lugar da coisa mais pura que aprendemos a cultivar nesse esporte: O relacionamento direto do seu torcedor com seu clube. agora com intermediários participando do clube e das nossas vidas, O amor pelo jogo virou plano secundário. O caos agora é medido pelo clickbait e não por uma provocação saudável ao seu rival feita pelo seu camisa 9 que ali criava identificação com a torcida. O futebol não é mais o foco – o resultado só determina contextos e determina pressões.
Consumir de forma descontrolada tem nos tirado mais do que dado. Precisamos refletir sobre como consumimos, e entender que o reflexo disso é uma geração cada vez mais ansiosa, atualizando redes sociais compulsivamente à espera da próxima notícia ou opinião que vai influenciá-la. Não estou aqui para criticar o trabalho de ninguém – consumo e adoro muitos -, mas vale o questionamento de como isso nos tira tranquilidade, traz ansiedade e muda nossa conexão com o esporte, deixando de lado o que era mais sagrado mas que ainda resiste em meio a esse caos.

De Botafoguense para Botafoguense

É perceptível que nossa torcida é uma aberração da natureza em resiliência. Só Deus sabe o que passamos para viver o que vivemos: jejuns, derrotas traumáticas, títulos perdidos no apito. Essa guerra contra nós mesmos e contra o sistema é dolorosa, mas no final tudo se resumia apenas em resiliência, sabendo que perder faz parte do esporte – sem influências externas, sem ódio alimentado. Éramos mais conscientes no caos.
Em 2025, entramos em outro período difícil, com reformulações e decisões erradas. O clube não ajuda quando diz que “a temporada só começa mais pra frente” – e lá se vai nossa ansiedade. Mas precisamos resgatar como lidávamos com tempos difíceis.
Então, meu amigo botafoguense, pelo bem da sua saúde mental: filtre o que consome, aprenda a se relacionar melhor com o esporte, torne seu amor pelo Botafogo algo saudável. Entenda as fases, você já esta cansado de saber que isso vai passar, vamos da a volta por cima! e me faça um favor pelo amor de Nilton Santos, beije sua esposa, abrace seu filho, jogue bola com amigos, assista um filme e no final do dia, apenas assista, torça, vibre e viva esse esporte com a intensidade e a pureza de uma criança de forma mais saudável possível. Afinal, como já dizia um sábio homem: “Podemos sorrir. Nada mais nos impede.”
(Obs: O ano ainda não acabou.)
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Matheus Rodrigues
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Uma resposta

  1. Sensacional. Visão inteligível e inteligente. Poucos perceberam que fomos alijados não só no que consumimos, mas também na maneira como consumimos, em especial o futebol. Novamente este colunista nos presenteia com uma verdadeira obra-prima que só corrobora minha admiração e torcida para que sua trajetória seja repleta de sucesso e realizações.
    Parabéns, amigo.

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