A CBF através de seu presidente, Samir Xaud, divulgou na última semana a criação de um grupo de trabalho para elaboração e desenvolvimento do fair play financeiro no Brasil, chamado de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A idéia é controlar os gastos dos clubes brasileiros em um modelo sustentável, onde as dívidas sejam pagas, não exista o doping financeiro e as equipes gastem menos do que arrecadam. Por décadas, clubes não souberam controlar suas finanças, acumulando bilhões em dívidas, e isso se tornou uma bola de neve sem tamanho.
O novo modelo será apresentado dia 26 de Setembro no CBF Summit. Ao todo, 34 clubes e 10 federações fazem parte da proposta elaborada pela CBF. Clubes como o Corinthians, que deve R$ 1.9 bilhão, Vasco e Atlético MG, com R$ 1.4 bilhão cada em dívidas, entre outros, precisam aprender a controlar seus gastos e criar uma máquina financeira que funcione de forma positiva, sem aumentar dívidas, além de gerir o ativo de forma mais saudável do que o passivo.
Ao total, na série A compareceram: Atlético MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Internacional, Juventude, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória. Os clubes das séries B que compareceram foram, América-MG, Athletic, Athletico-PR, Avaí, Chapecoense, CRB, Ferroviária, Goiás, Novorizontino, Paysandu, Remo e Volta Redonda compareceram. As federações de Alagoas, Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe também estiveram presentes.
Em 2024, os clubes da séria A arrecadaram, ao todo, R$ 10.2 bilhões em receitas, mas acumularam uma dívida que totaliza R$ 14.6 bilhões. A conta não fecha e o cenário não é positivo. A arrecadação aumenta, mas não existe controle de gastos, logo, a dívida, em vez de diminuir com o grande aumenta de receita, dispara. É necessário implantar medidas para controlar os gastos desenfreados dos clubes e responsabilizá-los caso não sigam as novas normas do fair play financeiro. Uma liga em que os clubes são superavitários e tem suas contas administradas de forma correta, traz uma mensagem positiva ao mercado, que por fim atrai investidores internos e externos, patrocinadores e jogadores de outras ligas do mundo.
O que isso significa para o Botafogo?
O Botafogo que antes era endividado até o pescoço, sem atratividade para investidores e patrocinadores e sem o interesse de jogadores em atuar pelo clube, hoje atrai, paga em dia e vê sua dívida reduzir. Essa dívida, que antes era de R$ 1.2 bilhão, foi reduzida para menos da metade sob a gestão da Eagle e de John Textor. O clube caminha para um modelo autosustentável, possui uma competitividade equilibrada, aumentou sua arrecadação de R$ 120 milhões para perto de R$ 1 bilhão de reais, instalou uma governança efetiva e estruturou um planejamento de longo prazo mais consistente.
Do ponto de vista negativo, para os clubes devedores que não tem sustentabilidade econômica, o descumprimento da lei pode trazer punição severa aos clubes: desde a proibição de registo de jogadores até perdas de pontos, rebaixamento e até desclassificação em competições. Cenários que todo clube busca evitar a qualquer custo.
Quem sai ganhando são os clubes, a liga e, principalmente, os stakeholders que participam do processo no futebol. Pagamentos em dia e quitação de dívidas apenas fortalecem a liga, melhorando o cenário do futebol brasileiro.
Por Gian Chimisso
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