Como foi o desempenho de Davide Ancelotti no Botafogo

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Como foi o desempenho de Davide Ancelotti no Botafogo

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Fim de ano. Hora de retrospectivas. Tudo indica que Davide Ancelotti continuará como treinador em 2026. Como foi o desempenho do italiano à frente do Botafogo?

Ancelotti comandou o time em 32 jogos, com 14 vitórias, 11 empates e sete derrotas, ou seja, um aproveitamento geral de 55,2%. Para efeito de comparação, Renato Paiva conseguiu um aproveitamento de 56,5% no comando do Alvinegro. É bem verdade que o português ainda tinha no elenco jogadores-chave como Gregore e Igor Jesus. Por outro lado, contava com lacunas importantes que o obrigaram a improvisar na escalação do meio para a frente em várias partidas.

Além disso, no Brasileiro, Paiva não chegou a enfrentar times da parte de baixo da tabela como Vasco, Vitória, Grêmio, Sport e Fortaleza. É de se presumir que esses confrontos melhorariam o seu desempenho.

Um outro tópico relevante na trajetória do jovem treinador diz respeito à preparação física. O número de lesões musculares com a nova Comissão Técnica praticamente dobrou. A prevalência média chegou a um caso a cada sete dias. Se pensarmos que uma lesão leve, grau 1, pode ter um tempo de recuperação de até quinze dias, não é difícil perceber que, nesse ritmo, em poucas semanas, teremos um time inteiro no Departamento Médico; o que, de fato, ocorreu.

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Os efeitos de uma preparação inadequada vão muito além das eventuais lesões, e podem explicar boa parte dos defeitos observados no segundo semestre. Apatia. Falta de intensidade nos duelos. Espaçamento dos blocos. Queda de rendimento no fim das partidas…

Ademais, em um time que praticamente troca de elenco a cada janela, a falta de um condicionamento físico adequado compromete o entrosamento e dificulta a adaptação.

Ancelotti reconheceu o erro e prometeu mudanças. O time de fato parecia mais intenso no fim da temporada. As lesões, contudo, continuaram a acontecer, e o Botafogo terminou o ano com vários jogadores no estaleiro.

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A questão é preocupante. Na maior parte do tempo, a equipe jogou apenas o Brasileiro. O que vai ser dos jogadores em 2026, com o Carioca, o Brasileirão e possivelmente a Pré-Libertadores se desenrolando em simultâneo já em fevereiro?

Pode-me argumentar que Davide estava em um processo de aprendizado. Suas hesitações táticas, sua falta de leitura de jogo, uma insegurança visível, uma certa apatia à beira do campo, tudo melhorou com o tempo. A série invicta de dez jogos nas últimas rodadas confirmaria a hipótese.

É preciso reconhecer que houve uma certa evolução. A equipe obteve cinco vitórias e cinco empates em sequência. Se analisarmos jogo a jogo, no entanto, a dúvida permanece. O Botafogo jogou bem contra o Vasco. Contra Mirassol e Vitória, no entanto, o time teve uma atuação bisonha. A vitória contra o rebaixado Sport, em casa, foi arrancada no apagar das luzes, graças ao talento do jovem Kadir. No duelo com um Grêmio desfalcado, o Alvinegro mais uma vez entregou o jogo no final, e só não saiu com o empate do Niltão porque o ataque do time gaúcho não é lá essas coisas.

O jogo com o Cruzeiro é emblemático; e serve para mostrar que Ancelotti ainda não está plenamente seguro de si. Uma vitória contra o Fortaleza, na rodada seguinte poria o Botafogo em sexto, de qualquer jeito. O que faria um treinador experiente? Poria o time para frente em Belo Horizonte, no tudo ou nada, para tentar o G5. O que fez Davide? Armou o time em um 5-4-1, recuando um volante para compor uma linha de três zagueiros. Resultado? O Botafogo chegou a estar perdendo por dois a zero, com cinco defensores e tudo. Ancelotti foi obrigado a desfazer o esquema no decorrer da partida. O time empatou. Só não virou porque, sejamos honestos, entrou em campo mais para se manter invicto do que para vencer.

Em uma análise fria, Renato Paiva deixou o Botafogo em sexto lugar, classificado na Libertadores e na Copa do Brasil. Davide terminou em sexto, eliminou o time nas Oitavas da Libertadores e perdeu a vaga nas semifinais da Copa do Brasil para o Vasco, de forma um tanto bizarra, com erros de escalação nas duas partidas.

O italiano pode ter um futuro promissor. Nosso clube, de certa forma, proporcionou-lhe um curso prático de treinador em 2025. Não há dúvida de que ele aprendeu alguma coisa. Mas ainda tem muito a melhorar.

 

Rodrigo Rosa estará à frente da Nova Escrita em 2026. http://www.novaescrita.art.br

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