A partida começa em Bragança Paulista. O time da casa tem um tiro de canto. A cobrança é curta. O cobrador recebe de volta, passa facilmente por Telles. Não há cobertura: ele entra na área, cruza rasteiro, a zaga falha no corte, e o atacante do Bragantino, embaixo da trave, só empurra para as redes.
O gol que assinalou a derrota do Botafogo na rodada passada do Brasileiro é emblemático. Lance de um time que entra a cem por hora, enquanto o adversário, lento na parte física, desatento, começa o jogo devagar, quase parando.
É o Botafogo de 2025. Um time que iniciou a temporada quando quis. Só esqueceu de avisar os adversários.
Ontem, contra o São Paulo, no Nílton Santos, a correria foi um pouco maior. Apesar disso, a saga de começar em desvantagem no placar continua. Marlon Freitas cochilou na marcação de Ferreirinha, que vem embalado nos últimos jogos. Com certeza o nosso segundo volante assistiu aos vídeos do atacante são-paulino. Em campo, parece que resolveu assistir ao replay. O time visitante abriu o placar. E mais uma vez o Botafogo teve de correr atrás.
E correu. Mas esbarrou novamente em falhas individuais e coletivas. Savarino fez um golaço, espelhando o lance que abriu o marcador. Nos acréscimos, em nova bobeira da defesa, o São Paulo voltou a ficar à frente.
No segundo tempo, é bem verdade que o goleiro tricolor fez milagres. Como também é verdade que certos jogadores de ataque, como Artur e Mateus Martins, ficaram a dever. Sorte que Igor Jesus, que vem fazendo excelentes partidas, empatou de cabeça.
Em um apanhado geral: Marlon, Barboza, Telles, o próprio Santi, Jeffinho, que entrou mal ontem, só para resumir, estão ainda em pré-temporada. De resto, o técnico olha para o banco e se vê sem opções. O ponta-direita não tem reserva imediato. Não há opções na armação. Mas a torcida, claro, precisa de culpados para amenizar a frustração.
O Botafogo virou um time para lá de comum. E por quê?
Imagine um restaurante recém-montado. A gerência não providenciou ingredientes adequados para todos os pratos do cardápio. O treinamento da equipe foi insuficiente. Há funções totalmente improvisadas na cozinha. Os clientes reclamam. A equipe não dá conta do volume de pedidos. E a culpa é de quem? Do cozinheiro?
Deixemos esses detalhes de lado. Vamos pensar à frente. É preciso recuperar jogadores. Santi tem muito mais bola do que vem jogando. Telles e Marlon podem voltar a ser os craques do ano passado. Não é hora de apontar responsáveis, realmente; mas sempre é hora de aprender.
O Botafogo ontem mostrou ao menos um poderio ofensivo maior. Patrick de Paula entrou bem como segundo volante. Como armador, realmente não dá liga.
Wendell cairia como uma luva nesse time. O Botafogo ainda pode resolver o problema do elenco na segunda janela. Resta saber como o time vai estar até lá nas competições que disputa.
Futebol se joga para frente. No campo e na gestão. É preciso encontrar soluções imediatas no elenco. Mesmo porque o Campeonato é traiçoeiro.
Quem avisa amigo é. O Botafogo que abra o olho. Ou, no ano da disputa do Mundial de Clubes, vamos amargar fundas decepções brigando na parte de baixo da tabela.
Rodrigo Rosa é reforço de primeira janela na Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









