A vitória sobre a Chapecoense pelo placar mínimo, no Nilton Santos, neste meio de semana, fechou uma série invicta de sete partidas do Alvinegro. Franclim Carvalho, o novo técnico, parece ter se rendido às evidências; o Botafogo Way ficou para trás.
Bellão já havia mostrado o caminho. Um esquema com três volantes, dando liberdade a Danilo, um dos principais jogadores em atividade hoje, no futebol brasileiro, pode ser ofensivo. A prova é que o time tem um dos melhores ataques do Campeonato Brasileiro.
Falta arrumar a defesa, que ainda sofre muitos gols; e faz sofrer o torcedor.
Enquanto o campo começa a engrenar, a situação dos bastidores só se complica. Coisas que acontecem ao Botafogo.
A SAF pediu recuperação judicial nesta semana. Pela regra recente do Fair Play da CBF, o clube pode ficar impedido de contratar sem uma venda que justifique os valores da aquisição.
O novo aporte prometido por Textor não cobre nem de longe o endividamento de curto prazo. Segundo consta, a SAF já antecipou as receitas que podia. Há uma cobrança em curso contra o Lyon; mas o processo provavelmente o processo terá de passar pela Justiça francesa, com resultados imprevisíveis. Cabe lembrar, além disso, que a Ares é credora de primeira classe nas operações da holding, com uma dívida bilionária para resgatar.
A tentativa de recuperação é uma faca de dois gumes. A alternativa de financiamento apresentada por Textor, a GDA, não passa no fundo de uma empresa especializada em ativos podres que não se interessa, em princípio, pela administração do futebol. Se, nesse processo, houver qualquer movimento para tirar o Botafogo à força da Eagle, o que parece ser o caso, os credores vão interpor recursos, no intuito de garantir os seus direitos.
O imbróglio só se complica. E o clube fica no meio da briga, com um patrimônio engessado, e sem grandes perspectivas.
A debandada de jogadores parece se anunciar no horizonte. Barboza parece ter sido sondado pelo Palmeiras. Danilo é disputado por diversos clubes. O jovem Montoro é outro que pode sair. Como substituir à altura, se o clube vai ter limitações legais?
Sem uma situação financeira estável, é praticamente impossível administrar um clube de futebol com objetivos desportivos um pouco mais ambiciosos. Ninguém sabe sequer quem vai ser o proprietário da SAF no final da temporada. É incerteza demais para estabelecer qualquer planejamento mínimo.
Os torcedores aguardam ansiosos um acordo final. Enquanto isso, manobras individuais intempestivas só aumentam a insegurança e agravam o problema.
Rodrigo Rosa vem recuperando a Literatura na Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br









