O Botafogo venceu na hora certa. Os 3 a 0 sobre o Vasco ontem no Nilton Santos têm um efeito duplo: praticamente eliminam um rival direto e, ao mesmo tempo, deixam bem encaminhada a classificação para a Libertadores.
Os resultados da rodada ajudaram. A derrota do Bahia nos pôs à beira do G5. Times que vinham chegando, como São Paulo e Corinthians, perderam pontos. Se o Fluminense não vencer hoje o Mirassol, o pacote fica completo.
Mais importante foi a atuação do trio ofensivo do Alvinegro. Santiago, Correa e Savarino tiveram um diálogo perfeito. A defesa do Vasco vai ter pesadelos com os três por um bom tempo.
A regra de ouro do futebol reside simplesmente na continuidade do trabalho. Santi levou meses para se adaptar. Correa só recentemente começou a fazer boas partidas. Com os dois em forma, Savarino finalmente tem com quem jogar.
Enfiar atletas às pressas no time, no decorrer da temporada, raramente dá resultado. O entrosamento reclama duração. Futebol é um esporte de ajustes finos, de retoques, nuances, de gestos sutis. A mágica de 2024 não se repete a todo instante.
A rapidez dos ciclos financeiros é inimiga do esporte. O futebol tem muito mais de arte do que de ciência. É um aprendizado coletivo. Recusa o imediato e busca a firme constância. Faz-se no tempo de seu advento, sem sobressaltos.
Uma equipe é uma construção em progresso, um trabalho de muitas mãos, que passa pelos funcionários, pela Comissão Técnica, pelos jogadores, até se consolidar no imaginário do torcedor.
Um campo que se lavra aos poucos, na estação propícia.
Como diz o Eclesiastes, há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Cabe aos que comandam o clube entender que a História do Botafogo não se fez em um dia.
Rodrigo Rosa está no tempo da colheita na Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









