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A questão do centroavante no time do Botafogo

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O Alvinegro está ativo no mercado da bola neste final de ano. A próxima temporada começa mesmo em janeiro. É preciso correr atrás de reforços e, mais ainda, de uma nova Comissão Técnica, já que Davide Ancelotti não sobreviveu à demissão de seu preparador físico.

Em meio às especulações naturais da época, uma coisa parece clara: o comando do ataque não é prioridade da Diretoria.

A constatação provoca surpresas. Desde o início de 2025, temos problemas no setor. Rwan Cruz não se mostrou um substituto adequado, quando Igor Jesus não podia atuar, criando dificuldades para o treinador. Mastriani, contratado por indicação de Renato Paiva, nunca disse a que veio.

A situação piorou com a venda do centroavante titular, depois do Mundial de Clubes. Cabral chegou para substituí-lo. Esteve às voltas com uma contusão nas costas e jamais conseguiu se firmar na posição. Chris Ramos, sugestão de Ancelottinho, teve boa atuação na estreia, contra o Juventude. E foi só. O jovem Jadir ainda é uma promessa. Entrou bem contra o Sport , mas não repetiu o desempenho em outros jogos.

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Afinal, o que ocorre no setor?

Para além do critério técnico dos postulantes à vaga de centroavante, existe aí uma questão mais profunda.

Os jogadores de frente do time são leves e priorizam o toque de bola. Montoro, Santiago, Savarino e Barrera gostam do jogo de pé em pé, com tabelas e deslocamentos. Nesse contexto, centroavantes fixos, grandalhões, como Mastriani, Ramos e Cabral ficam como peixes fora d’água.

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É um problema de estilo. Mesmo Artur, jogando como ponta invertido, tende a fechar para o centro do campo, embolando o jogo no meio. Se não tiver mobilidade, o centroavante acaba por ser peça nula no esquema, empacotado entre os zagueiros.

Nessa situação, o mais certo seria buscar um reforço com as características de Igor Jesus: um jogador rápido, de movimentação constante.

Em lugar de optar por essa alternativa, contudo, a Diretoria vai no caminho inverso, procurando um ponta que ataque a profundidade, como Villalba, do Nacional do Uruguai. A estratégia privilegiaria os cruzamentos da linha de fundo, uma jogada importante quando se tem um centroavante de referência.

Em resumo, o Botafogo parece estar inclinado a forjar um esquema baseado nos jogadores que possui no comando do ataque, em detrimento do estilo dos armadores.

Um erro? O tempo dirá. Talvez haja algo mais acontecendo nos bastidores. Monteiro e Barrera são nomes valorizados no mercado. É possível que não permaneçam até o final de 2026.

Aguardemos a chegada do novo treinador. Quem sabe os ventos não mudam de lado outra vez?

 

Rodrigo Rosa joga no time da Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br

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