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A Crise da CBF: Politicagem, Corrupção e o Controle de Ednaldo Rodrigues

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Precisamos deixar futebol e gestão de lado e falar de Ednaldo Rodrigues, CBF e o abuso de poder.

A maior entidade que rege o futebol brasileiro, é hoje instrumento de pura politicagem, uma organização marcada por diversos presidentes que terminaram ou banidos do esporte, ou encarcerados devidos a atos corruptos, abusos sexuais, extorsão, fraude e dos mais diversos crimes possíveis.

A reportagem feita pela revista Piauí por Allan de Abreu, escancara mais uma vez as maracutaias e negociatas da velha e mau falada, Confederação Brasileira de Futebol. A CBF opera em um vácuo de governança que combina autonomia jurídica com influência social e econômica desproporcional, criando um cenário propício para abusos, como cita o próprio autor. Quase uma terra sem lei. A maior governança do futebol brasileiro possui uma receita líquida de R$ 1 bilhão de Reais, dados de 2023. Números maiores que muitas empresas grandes no país.

A CBF é uma organização sem fim lucrativos onde não está sujeita à fiscalização rotineira de órgãos como o Ministério Público ou o Tribunal de Contas da União. O modelo de governança geral da entidade é arcaico e feito para durar por quem estar no poder. A assembleia-geral da CBF é dominada por 27 federações estaduais, aonde os presidentes perpetuam uma rede clientelista, ou seja, uma troca de bens ou serviços por apoio político. Os clubes profissionais, que são as principais peças na estrutura geradora de receita, tem influência limitada, sequer existe alguma transparência ou controle.

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A organização, poderíamos dizer, criminosa?! Até os anos 1980 era estatal e operava com recursos públicos, era sujeita as inspeções do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União.  Mas em 1989, sob o comando de Ricardo Teixeira e o aval do mafioso, João Havelange, rompeu com verbas públicas e adotou o modelo de marketing esportivo fazendo parcerias com empresas privadas. Com uma organização arrecadando milhões e uma autonomia sem controle, passou a gerir recursos livremente, deixando espaços para subornos e propinas. Uma organização que deveria focar no desenvolvimento do futebol, de clubes, atletas e no esporte em geral, ficou marcada por crises institucionais e diversos casos de prisão.

Ricardo Teixeira com João Havelange, não foram presos, mas foram banidos do futebol por suborno e corrupção. Rogério Cabloclo foi afastado por assédio moral e assédio sexual. José Maria Marin foi preso por fraude e lavagem de dinheiro. Marco Polo del Nero, envolvido com propinas, não foi preso, mas foi banido do esporte. A lista é longa, tem de tudo, menos transparência. Agora no cargo, Ednaldo Rodrigues já mostra padrões sistemáticos de má administração e centralização questionável de poder, contratos inflacionados e até nepotismo. O cargo de Ednaldo segue marcado por contratos superfaturados, uso de caixa para fins pessoais ou políticos com proteção de liminares do STF que protegem o presidente.

A eleição para presidente na CBF mudou em 2017, aonde as Federações ganharam peso eleitoral extraordinário. O voto de dirigente de federação estadual vale três votos, o voto de um time da série A vale dois votos e time de série B vale um voto. Com 27 federações que totalizam 81 votos, 20 times da série A somam 40 votos e 20 times da série B somam 20 votos, um candidato pode chegar ao cargo principal nas eleições sem ao menos nenhum voto de nenhum clube das séries A e B, e até mesmo sem apoio de 6 federações estaduais. Gordos salários e mesadas para presidente das federações e uso do cargo como instrumento político para se perpetuar no poder. Essa é mais uma gestão aonde Ednaldo segue dando as cartas e o foco apenas segue sendo no poder e nos benefícios que a seleção brasileira pode gerar. Futebol, VAR, calendário e desenvolvimento do esporte foram esquecidos e dão hoje espaço para diversos crimes e manipulação no esporte brasileiro. Até jornalistas de canais de televisão privados que possuem contratos com a CBF para transmissão de jogos, que decidiram comentar e criticar o caso abertamente de sua reeleição, foram suspensos e ameaçados caso não se calassem. Vale lembrar que Ednaldo foi reeleito presidente com 100% dos votos dos clubes da série A e B. Parecem que todos seguem satisfeitos, menos o consumidor e os próprios clubes. Até quando isso irá se perpetuar e o foco se dará no esporte no país?

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