Engana-se quem acredita que 2025 começou em 2025. Não para o Botafogo, que, de cara, ainda no final de um 2024 mágico, via surgir questionamentos sobre continuidade, projeto e — principalmente — decisões de personagens egocêntricos.
Artur Jorge e suas escolhas.
Em meio a avanços e conquistas, o treinador sempre deixava claro em suas entrevistas (desconfortáveis, por sinal) que merecia valorização financeira; afinal era o treinador que deu oque não tínhamos e trouxe de volta um titulo que não ganhávamos a muitos anos, e Foi com essa narrativa que se iniciou uma guerra de egos: de um lado, o chefe que fez a empresa crescer; de outro, o funcionário que se sentia no direito de ser valorizado por contribuir com esse crescimento. Além, claro, de viagens fora de época, alinhamentos de contratos e aliciamento de jogadores. Era assim que se enxergava todo o imbróglio.
Artur Jorge fez de tudo para perder a idolatria conquistada, trocando-a por uma guerra de narrativas cujo foco central era unicamente financeiro. E sabemos que na vida real, brigar com o chefe nunca foi — e nunca será — a melhor decisão, mesmo que se tenha razão. Sem acordo após longas negociações (cujo desfecho parecia óbvio), o Botafogo perdeu seu líder: um baque inesperado e fora do planejamento. E agora? Sem um treinador, John Textor precisava voltar à estaca zero. O contexto já não era de criação, mas de continuidade — só que, agora, sem a principal liderança em campo.
Tentativas, erros e uma série de decisões problemáticas.
Na busca por um novo técnico, John usou o mesmo critério de tempo que aplicou na escolha do antecessor. Só que, agora, sem a pressão do ano anterior. E é aqui que começam as comparações…
Diferentemente de 2024, quando foi minucioso e objetivo nas negociações, em 2025 ele esbarrou em tratativas frustradas com os nomes selecionados. A demora, que no início passava confiança, transformou-se em insegurança, gerando desconforto a cada notícia de negociação malograda. Passamos por André Jardine, Vasco Matos, Tata Martino e Rafa Benítez — nomes controversos, com características únicas e alguns nada parecidos com Artur Jorge. John, que antes tinha 100% da confiança da torcida, agora via-se em xeque. O tempo, antes seu aliado, passou a ser visto como sinal de indecisão e fragilidade nas negociações.
A temporada começou e, antes mesmo de definir seu treinador, o Botafogo já sofria em um Campeonato Carioca fraco e desinteressante. E tudo bem, porque não fazíamos questão. Mas, diferentemente de anos anteriores, este início de temporada reservava duas finais: era o que queríamos. Ganhar do maior rival e fazer argentinos chorar em nosso estádio.
Preocupações, soluções e lentidão.
Com o passar dos dias, a torcida via-se preocupada. Sem técnico, o Botafogo parecia caminhar na contramão de seus anseios. Enquanto terminava vínculos com rapidez, contratava com lentidão — a diretoria não entendia o clamor por reforços. Tínhamos um rival à espera, e, a cada dia sem soluções era menos um dia até a primeira decisão do ano.
As más notícias se acumulavam: saídas de Luiz Henrique e Almada, a perda do técnico vencedor, e a reformulação sem reposição. Tava claro a insatisfação geral. Nos que tínhamos o tempo a nosso favor, viu ele se tornar nossa maior desculpa. “Nosso ano só começa em abril” que antes era um aliado agora servia para justificar os erros de 2025. E foi assim que perdemos a primeira final do ano de forma amarga, para um rival claramente beneficiado por um planejamento pífio. O rei está nu; o campeão está irreconhecível.
Mancini? Vasco Matos? Surpresa! Qual o foco para 2025?
Após a derrota na Supercopa do Brasil, surgiu o nome de Roberto Mancini — unânime, acostumado ao topo, para treinar o time do topo (afinal, ainda éramos os atuais campeões). Mas o Botafogo, agora irreconhecível, tentou manter o padrão que funcionou ano passado e o nome de Vasco Matos, visto como um “novo Artur Jorge” foi o escolhido. Pronto, tínhamos um treinador!
Só que… Vasco Matos não tinha licença para comandar o time. Será que não sabiam disso antes? Um amadorismo que lembra tempos sombrios. E Mancini? Naquela altura, já era óbvio que não viria.
A final contra o Racing se aproximava e, no exato dia do jogo (que perdemos em casa, de forma amarga), eis que surge um nome: Renato Paiva! Sim, um nome aleatório, vindo de trabalhos ruins — inclusive um vergonhoso no Bahia. Um técnico que, na teoria, sabe tudo sobre futebol, mas, na prática, tem dificuldade de executar. Pior: costuma perder o elenco quando se fecha às críticas, expondo os jogadores em vez de protegê-los. Mas, no meio de tantas negociações, foi o que sobrou.
Explicações, conclusões e reinicio.
Textor chegou ao Rio para apresentar Renato Paiva, ciente da rejeição após três meses de negociações frustradas e nomes pouco empolgantes. Agora, precisava explicar tudo: desde a escolha do técnico até reforços sem nexo (como Elias e Rwan Cruz, jogadores que nem deveriam pisar no Botafogo atual). Na coletiva, ambos fizeram oque melhor sabem fazer, John tentou recuperar a autoestima da torcida, enquanto Paiva se vendia como “o melhor técnico do mundo” — mas que precisava se provar. O trabalho recomeça e Renato, privilegiado por um Carioca pífio e um mês sem jogos oficiais, teve tempo para transformar um time esfacelado em algo minimamente competitivo. Mas a missão era difícil, com peças de qualidade duvidosa. Os amistosos, mostrava um Botafogo minimamente organizado, mas que deixava claro que a entrada de Artur e Santi ( sem ritmo ) só evidenciava um elenco curto expondo um planejamento questionável. Até mesmo os que ficaram caíram de produção (Marlon, Savarino, Telles). e Patrick de Paula, reserva no rebaixado Criciúma, virou “peça importante” do Botafogo 2025. Até Matheus Martins, que permaneceu para se provar, provou-se apenas um ponta de segundo tempo. Problemas de adaptação, erros no planejamento e expectativas baixas: eis o cenário.
Resultados, oscilações e conclusões (até aqui).
O campeonato começou, e a única impressão deixada até agora é de um time que oscila de atuações medianas pra ruins. O ataque ineficiente, defesa desencaixada — tudo parece um amontoado de decisões erradas. Desde a escolha tardia e equivocada do técnico até um elenco sem entrosamento com qualidade inferior ao do ano passado.
Ninguém entende a ideia de John para 2025. Seus movimentos parecem mais voltados à revenda do que à ambição de títulos. Talvez por vir de uma cultura diferente ou não saber lidar com a pressão de vencer, ele se mostrou perdido. Seu discurso de “buscar algo grande” tornou-se vazio.
A sensação é que o Botafogo de 2025 não tem absolutamente nada do Botafogo de 2024. E a única certeza que temos é que a frase “Este é o pior Botafogo dos próximos 10 anos” dita para o elenco de 2024 se encaixa perfeitamente em 2025.









