Nada como uma semana após a outra. O Botafogo venceu por placar idêntico os seus dois duelos na rodada do Brasileirão e da Libertadores; jogando contra times teoricamente mais fracos, fez o seu dever de casa.
Venceu, mas não convenceu, dirão alguns. No jogo contra o Juventude, a equipe só jogou um tempo. Contra o Carabobo, teve mais uma vez dificuldades de superar a retranca, e marcou os seus dois gols a partir dos 38 da segunda etapa.
Começo de temporada, técnico novo, jogadores que se foram, jogadores que vão chegando. Todos já sabem o enredo. Mas é aí que a coisa pega.
Hà questões releantes na montagem do elenco. Jair é um jovem talento que, pela contusão de Bastos – evitável, nunca é demais lembrar – tem sido posto à priva da pior maneira, no sufoco. Apesar disso, a defesa vem se aguentando bem – nas duas últimas partidas, John passou incólume.
O problema está mais à frente. Santi não rendeu o que pode; há uma questão de posicionamento que precisa ser revista. Depois da chegada de Almada, Savarino vinha atuando como um extremo que tinha liberdade para cair no meio. Quando Santi é escalado, o venezuelano se posiciona mais atrás. Os dois não acertaram ainda a movimentação; e o time, em várias ocasiões, mostrou que se ressente de um meia de criação.
Os reservas do ataque tampouco mostraram serviço. Rwan Cruz parece um tanto deslocado com a chegada de Renato Paiva. Mastrini veio como opção; a última partida mostrou que ainda falta uma longa minutagem para que ele se entrose na equipe. Elias Manoel não encaixou; Nathan Fernandes, uma alternativa para abrir retrancas, nem sequer deu o ar de sua graça. E quanto a Jeffinho…
Em resumo, o elenco ficou mambembe. Artur é um titular sem reserva direto. Mateus Martins parece só conseguir bons desempenhos entrando no fim do jogo.
Cobertor cruto, pernas de fora, já dizia a minha avó. O time pena para fazer gols; na primeira rodada, passou em branco nas duas competições.
Qual é o ponto de virada? De tudo o que vimos até agora, o fundamental é justamente acertar o setor de armação. Santi e Savarino são grandes jogadores, dois talentos que teriam lugar em qualquer grande equipe do Brasil.
Se acertarem a movimentação na frente, os atacantes vão render mais. Enquanto isso não aocntecer, infelizmente, ficaremos reduzidos a Patrick de Paula como terceiro homem – apesar do gol salvador no último jogo, nessa posição, cabe dizer, ele não parece ser uma opção.
Todos devem lembrar o começo da temporada de Luiz Henrique, no ano passado. O Pantera simplesmente não rendia nos primeiros jogos; chegava a dar raiva na torcida ver a sua aparente displicência.Depois, foi o que se viu. O ponta foi destaque do ano, Rei das Américas.
Agora vamos ao ponto. O que acontece agora mostra a importância de uma pré-temporada. Meter em campo bons jogadores pode não ser suficiente. Enquanto nos acertamos, o tempo passa. E a primeira fase da Libertadores passa junto.
Renato Paiva mostra nas coletivas perspicácia e excelente leitura de jogo. Rezemos para que ele resolva logo o X da questão.
Rodrigo Rosa é um meia de criação da Nova Escrita. http://www.novaescrita.art.br









