Quem me acompanha sabe. Sou do tempo do Escrete Canarinho. Da conquista definitiva da Taça Jules Rimet. De Jairzinho Furacão, artilheiro da Copa de 70.
Sinto uma amargura especial, portanto, em ver a que ponto a nossa Seleção chegou.
São outros tempos, dirá alguém. Tá legal. Eu aceito o argumento, como na canção. Mas não me altere o samba tanto assim.
Nosso último título mundial já tem 23 anos. Desde o Penta, não chegamos mais a uma final. Nossa melhor colocação nos últimos tempos foi um quarto lugar na Copa realizada no Brasil. Tá, acho bom esquecer 2014.
Na gestão Ednaldo, Presidente reeleito da CBF, nosso escrete só acumula vexames. Depois do recente atropelo por 4 a 1 na casa da Argentina, assumimos a 4ª posição nas eliminatórias, a pior campanha da História. São cinco derrotas em quatorze jogos; um aproveitamento pífio, uma enxurrada de recordes negativos. Alcançamos agora a pior goleada de todos os tempos. Perdemos para a mesma Argentina no Maracanã, a primeira derrota como mandante. Também conseguimos a façanha de perder para a Colômbia pela primeira vez no certame, e encerramos, de quebra, um jejum de resultados negativos de 22 anos frente ao Uruguai.
Nas outras categorias, a Seleção também vai mal. Não se classificou no masculino para as Olimpíadas de Paris em 2024. Apesar da medalha de prata nessa mesma competição, a seleção feminina foi eliminada da Copa do Mundo de 2023 na primeira fase, algo que não ocorria desde 1995. Nesse mesmo ano, os hermanos, sempre eles, mandaram a nossa equipe sub-17 para casa no Mundial da categoria, com um acachapante 3 a 0.
Claro que a CBF não é a única culpada. O futebol brasileiro se ressente da crise que se abateu sobre os clubes nacionais desde o final do século passado. Estruturas precárias de formação de jogadores, pouco investimento na base, fuga de talentos, gestões criminosas, tudo contribui para a derrocada do nosso futebol como um todo. Mas Ednaldo e seus pares têm a sua parcela de culpa.
Os escândalos na entidade máxima do futebol nacional se sucedem há muito tempo. O atual Presidente esteve afastado do cargo por decisão judicial. Volta agora triunfante, com o aval dos clubes – inclusive do Botafogo.
A segurança jurídica trará novos tempos? Não sem uma mudança total de mentalidades. Precisamos de uma reformulação completa, que passa por todos os níveis, inclusive o da Comissão Técnica.
Dorival é um profissional competente. Apesar de ser um bom treinador, não é o ideal para uma Seleção do porte da brasileira.
A maratona da temporada 2025 começa no fim de semana. Com a concorrência das SAFs, os investimentos vêm aumentando. Está mais do que na hora de os clubes se organizarem em uma Liga única, assumindo as competições nacionais, para deixar à CBF os encargos exclusivos da Seleção. Pelo que vimos na última gestão, essa tarefa já parece muito para a entidade.
É o que vai acontecer?
Conhecendo os nossos dirigentes, e os jogos de poder com que se mantém a CBF, duvido muito.
Rodrigo Rosa é dirigente da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









