30 de novembro de 2024, uma data que jamais será esquecida. Uma data para comemorar o reencontro de presente, passado e futuro do time que fez do Brasil o país do futebol.
Por pouco não fui para Buenos Aires dirigir um projeto de documentário sobre a mobilização da torcida do Botafogo. Mas os recursos não vieram e acabei ficando no Rio para ver a final ao lado da minha filha Clara. Foi maravilhoso, emocionante, épico, e estar ao lado da minha filha tornou esse momento muito mais especial.
Clara é pé quente, sempre foi. Em 2010, na semana da final, encontramos o goleiro Jeferson no supermercado. Me aproximei com minha filha no colo e pedi para ele falar pra ela que o Botafogo iria finalmente bater o Flamengo numa final, depois de um traumático tri-vice. Jeferson não titubeou e afirmou que seríamos campeões. Sua defesa no pênalti batido pelo Adriano Imperador e a cavadinha insana de Loco Abreu garantiram aquele título histórico.
Pouco anos depois, Clara entraria em campo de mãos dadas com o mesmo Jeferson. Logo em seguida, assim que ela pisou no camarote do Nilton Santos, gol do Fogão! Bruno Mendes, abrindo o placar diante do Furacão do Paraná.
Na final do Carioca de 2018, saí da sala e fui para o seu quarto na disputa de pênaltis, após o gol salvador de Carli no último minuto contra o Vasco. Falei pra Clara que o Gatito nos daria aquele título e foi o que aconteceu. Depois disso, ela se desinteressou pelo futebol. E convenhamos, com aquele período tenebroso que culminou no rebaixamento em 2020, foi o melhor que ela fez. Ano passado, mesmo naquele primeiro turno mágico com Luis Castro, minha filha não se empolgou. Parecia pressentir o que estava por vir.
Quando ela me disse semana passada que iria ver essa final ao meu lado, meu coração disparou. Clara nunca mais tinha visto um jogo de futebol do Botafogo, desde 2018. Foi atleta de vôlei nas categorias de base do Fogão, sempre vestindo a camisa 7, mas o futebol já não a interessava mais. E tudo mudou na final do dia 30, quando torcemos, choramos e vibramos juntos, da mesma forma que sempre fiz com meu pai. Um dia que jamais vou esquecer…
Nessa quarta temos mais uma decisão mas a sensação é que aquela final ainda não acabou. Pelo menos, não a comemoração…
Nunca antes, os deuses do futebol capricharam tanto no roteiro de uma final . A expulsão inacreditável aos 30 segundos, a dramaticidade da final inédita, a entrega dos jogadores, a estratégia do Artur Jorge, a mística da camisa 7, a numerologia em torno do 13, o gingado do Almada antes do gol incorporando o espírito de Garrincha, John, mais um goleiro negro vencedor numa linhagem que teve Manga, Ricardo Cruz, Wagner e Jefferson e finalmente o desfecho antológico da ópera no gol de Junior Santos. Bravo! Bravíssimo! Uma obra-prima que entra para a história do futebol mundial.
Sim, nossa torcida foi espetacular e merece todos os aplausos. O que eles fizeram invadindo Buenos Aires, lotando o Niltão, tomando o campo de General Severiano e recepcionando o time na Enseada de Botafogo foi tão impressionante quanto o jogo em si. As imagens aéreas da praia do bairro (aquele mesmo que dá nome ao clube alvinegro) com o Pão de Açúcar ao fundo, compõe um quadro único de magia e beleza. À propósito, ao lado temos outro bairro, de nome Flamengo, que tem como destaque o Aterro…
Para um time que passou tanto tempo desconectado de seu passado glorioso e absolutamente sem perspectiva para o futuro, esse título é uma apoteose que reconecta nossa linha temporal. Sim, é tempo de Botafogo…
Eu estava no Maraca no título de 89 com o gol de Maurício. Repeti a dose no ano seguinte com o gol de Carlos Alberto Dias. Invadi a pista do aeroporto Santos Dumont para festejar o Brasileirão de 95 de Túlio, Donizete e companhia. Vibrei com o gol de Dimba em 97, com a cavadinha do Loco em 2010, mas nada se compara à catarse coletiva de agora, com todos celebrando em família, e lembrando dos que não estão mais aqui.
Lógico que o Atlético Mineiro não estava preparado para jogar com um a mais em campo o jogo todo. O “nó tático” (essa expressão batida) aplicado por AJ em Milito só confirmou o grande estrategista que nosso comandante é. E entre todos os jogadores, preciso destacar um deles: o nosso capitão.
A história de Marlon Freitas merece um filme. Fazia uma temporada brilhante em 2023 quando sucumbiu com todo o time. Um gesto bobo, cometido numa fração de segundos, a famigerada “piscadinha”, fez com que se tornasse um elemento execrado pela nossa torcida. Poucos teriam tanta fibra, tanta força mental, para aguentar o que ele passou. Esse ano, retomou a titularidade e o posto de capitão jogando o fino. Um maestro digno de um meio-campo que já teve Didi e Gerson nessa mesma função. Seus discursos antes dos jogos poderiam facilmente ser exibidos em qualquer palestra sobre liderança e motivação. Obrigado, Marlon. Sua jornada do herói jamais será esquecida.
MANDOU BEM
Junior Santos coroando sua incrível história na Libertadores com o gol do título e a artilharia da competição. Justo, muito justo, justíssimo.
SURREAL PERDE
A CBF fazendo de tudo para que o Palmeiras vença o Brasileirão é o puro suco da desmoralização do nosso futebol.
Bem-vindo aos novos tempos! Temos ainda um Brasileirão pela frente, um Intercontinental, uma Recopa e um Super Mundial. Bora encarar, sofrer e se divertir bastante porque é tempo de Botafogo! Pra cima, Fogão!!!









