O Mundial de Clubes impôs uma mudança em 2025. Uma opção se abriu aos participantes. O Glorioso entrou na onda. Jogadores vêm e vão, no influxo da maré. Surfamos a onda ou vamos tomar um caixote?
Vozes críticas já se elevam na mídia. O Botafogo se tornou uma central de negócios. Um balcão aberto a todas as investidas. Existe aí alguma dose de razão?
Mudanças de titulares em duas janelas pode parecer excessivo. O ritmo de uma equipe de futebol não acompanha necessariamente o ritmo das oportunidades financeiras. Quando o projeto é aproximar as duas vertentes, os riscos se fazem bem claros.
Se uma equipe tem uma comissão técnica fixa, uma base forte, uma cultura de transformação consolidada, os impactos são minimizados. Não é o caso do Botafogo. Treinadores se sucedem, tão rápido quanto os jogadores. O tempo de reforçar expectativas é exíguo. As acomodações são feitas na última corda, no olho do furacão.
Vai dar certo? Ninguém sabe. Textor e seus investidores seguem dançando ao ritmo dos números. Um time de futebol tem outras necessidades, talvez. Um compasso mais lento, mais adaptado às temporadas esportivas.
O que se passa com o Botafogo, entenda-se bem, está longe de ser uma exceção. O clube esteve às vésperas do fim. Escapou da degola por milagre. Por uma mágica das cifras. Outros times brasileiros seguem na corda bamba. O que fazer?
O andamento da sinfonia agora se apressa. Duas janelas, duas mexidas no time titular. Começamos o ano atrasados. Tentamos nos equilibrar mal e mal. Ainda há tempo?
Desconsideremos o Mundial de Clubes. Seja como for, chegamos a disputá-lo. Quem é alvinegro de longa data sabe que esse fato seria verdadeiramente impensável, há meros quatro anos. Nesse momento, pouco importam os resultados da competição.
O futuro? É o mesmo das grandes mudanças do sistema financeiro-monopolista. Vivemos uma época de incertezas, de acumulação de capital, de crises imensas e de muito pouca segurança.
Notícias espocam na mídia. Atrasos de pagamento, exigências de liquidez, negociações interrompidas. O clube já foi banido e teve o crédito readmitido pela FIFA algumas vezes. E o Botafogo, diga-se a bem da verdade, não é um exemplo solitário.
Analisemos a situação específica. Igor Jesus está de saída. Jair também, com meses de clube. Cuiabano pode ir embora. Outros chegam, alguns com passagem de volta já comprada.
Montoro pode ser uma grande contratação. Preenche teoricamente uma carência evidente do elenco. Kaio Pantaleão e Loor vêm para compor. Sejam bem-vindos. Joaquin Correa provavelmente vai fazer diferença. Atacante versátil, experiente, rodado. Perdemos provavelmente com Cabral, não pela qualidade, mas pela falta de ímpeto, de juventude, de empolgação. Queira Deus que eu queime a minha língua.
Ainda temos um resto de janela. Oportunidades de fechar o elenco. A lateral-esquerda fica em aberto. Telles e Marçal não têm idade para suportar três competições. O comando do ataque prossegue com problemas. Quem será o eventual substituto de Cabral? Será que Renato Paiva terá de inventar escalações com dois falsos centroavantes?
Já vimos de tudo, em termos táticos, neste primeiro semestre. Basta de improvisação? Provavelmente a esperança não se dará em breve.
Vivemos em pleno improviso.
Foi-se o tempo do amadorismo no futebol. Não nos queixemos.
Foi-se o tempo das certezas também.
Só nos resta torcer pelo melhor.
Rodrigo Rosa vai de janela em janela na Nova Escrita. http://www.novaescrita.art,br









