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Botafogo de Futebol e Regatas: a Arte de se Reinventar
O ano começa. Uma nova temporada. Época de dúvidas, anseios, expectativas.
Tempo de relembrar outras jornadas.
Voltemos a 2022. O Botafogo, recém-saido da série B, vivia a expectativa da formação da SAF.
Os trâmites legais foram cumpridos. Um time inteiro teve de ser montado às vésperas do Brasileirão. Técnico novo, vindo de fora. Elenco precisando de entrosamento, de adaptação.
Não se podia esperar muito. O time até que fez bonito, disputando vaga na Libertadores na última rodada, ponto por ponto.
Ficamos na vontade. Mas o desempenho justificava as esperanças da torcida.
2023 chegou com alguns reforços. Luis Castro ganhou cancha, com a experiência do ano anterior contudo, no Carioca, o time ainda não mostrava um padrão de jogo definido, os resultados não vinham; e a torcida, ávida de títulos, se impacientou.
Às vésperas do Brasileirão, uma surpresa. Castro optou por um estilo de jogo mais condizente com as características dos jogadores que tinha.
As vitórias começaram a surgir, em sequência. Jogando no gramado sintético do Nílton Santos, o Botafogo era uma máquina, com transições rápidas, marcação na saída de bola, linhas compactas, flutuações.
Era como se vivêssemos um milagre. O time foi livrando pontos, foi-se isolando na liderança. O campeonato parecia decidido. Até que, depois de uma proposta milionária do futebol árabe, Luis Castro optou por deixar o comando da equipe.
Não é preciso lembrar o que aconteceu. Quatro treinadores passaram pelo clube até o final da temporada. O time desandou. Mais de uma dezena de jogos sem vitórias. Um desastre total. Mais do que uma catástrofe, um duro golpe no ânimo de uma torcida tão carente de títulos.
O ano passado começou com um misto de incredulidade e incerteza. Uma ponta de esperança, contudo, teimava em se imiscuir no cotidiano cinzento do clube.
Mudanças de última hora abalaram a pré -temporada. Thiago Nunes foi demitido. Textor, em pessoa, saiu à cata de um novo técnico.
Arthur Jorge chegou quando o gongo já soava na Libertadores. Conseguiu o que parecia impossível. O Botafogo passou da fase de grupos no fio da navalha. E, a partir daí, não parou mais.
Os reforços da segunda janela caíram como uma luva no time. Vencendo a desconfiança, a má vontade, o desânimo, o clube de tantas histórias fez história novamente.
Se insisto em retraçar todo esse percurso, é porque sinto que, mais uma vez, o nosso amado alvinegro se encontra em uma encruzilhada.
Estamos sem treinador. Boa parte do elenco encerrou sua história no clube. Outros vieram com passagem de volta comprada. Alguns, com propostas vantajosas de outros times, podem sair.
A estratégia da SAF é bem clara. Joga quem tiver vontade, fica quem possui compromisso com o clube.
Arriscado? Talvez. Mas não nos esqueçamos de que todas as nossas escolhas, tudo o que somos, se fez no perigo das decisões que, ao fim e ao cabo, definem a nossa condição.
A trajetória do Botafogo é parte da trajetória da vida de todos nós. Quantas vezes enfrentamos o escárnio, a dúvida, a desconfiança? Quantas vezes tivemos de nós erguer quando tudo parecia perdido?
Nossa existência é sempre essa falha; ao mesmo tempo, nela há a possibilidade maior do resgate; de tal modo que se pode dizer, como o poeta, que aquele que nunca sofreu passou pela vida em branca nuvem; só passou por ela, não viveu.
Um bom ano para todos, uma excelente temporada para o time da estrela solitária.
Continuaremos tropeçando às vezes em nossas pernas de gigante; sempre com a coragem e a ousadia de seguir em frente.
Rodrigo Rosa continua acreditando na Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









