Afinal, o que Textor tanto temia na assembleia do Lyon?

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Afinal, o que Textor tanto temia na assembleia do Lyon?

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O Botafogo estreia hoje no Campeonato Brasileiro contra o Cruzeiro, no estádio Nilton Santos, ainda sob transfer ban. Depois de duas vitórias no Carioca, o treinador Martin Anselmi tem o seu primeiro grande teste, enfrentando uma das três principais equipes da temporada anterior.

Sem poder inscrever jogadores, o Botafogo se vê forçado a recorrer aos garotos da base para compor o elenco. Que tenham sucesso, se for preciso colaborar em campo.

O time por ora parece blindado, com os salários em dia. Fora das quatro linhas, no entanto, a situação permanece tempestuosa. A semana foi marcada por uma batalha acirrada nos bastidores da Eagle. Às vésperas da primeira Assembleia Geral mista do Olympique de Lyon, marcada para o dia 28, John Textor demitiu intempestivamente Stephen Welch e Hen Tseayo, que faziam parte da Eagle Bidco, controladora da Eagle Football, e ficou sozinho no conselho do órgão.

A manobra chamou a atenção da Ares, maior credora do grupo. Os dois diretores foram introduzidos no cargo por exigência do fundo de investimentos, para supervisionar as finanças da holding.

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Temendo que Textor tentasse um golpe de última hora para retomar o controle do clube francês, a Ares agiu rápido: por meio de uma notificação enviada na noite de terça-feira, o fundo informou aos advogados de John Textor que havia acionado uma cláusula de proteção do contrato de empréstimo, destituindo o norte-americano do comando da Eagle Football.

A notícia caiu como uma bomba na imprensa. Textor reagiu, declarando em nota oficial que não reconhecia a destituição. O empresário afirmou ainda que a sua decisão foi motivada por preocupações quanto a mudanças na governança do Lyon, que seriam levadas a cabo no que ele chamou de “conselho secreto” na quarta-feira.

Ora, para início de conversa, a expressão usada por Textor é, no mínimo, descabida. A convocação da Assembleia constava do site oficial do Lyon bem antes de sua realização. Além disso, havia na internet uma página inteiramente dedicada ao evento, com data, hora, local e instruções detalhadas de como participar à distância.

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Seja como for, a carta da Ares parece ter intimidado o principal acionista da holding. John Textor não marcou presença, nem se fez representar. Cabe então a pergunta: afinal, o que o norte-americano tanto temia na Assembleia?

O evento realizado no Groupama Stadium transcorreu pacificamente, em cerca de duas horas e meia, durante as quais foram aprovadas algumas alterações importantes na governança do clube. Além da criação de um comitê de nomeações e remunerações, para cuidar da parte financeira, e de um comitê comercial, encarregado de incrementar as receitas do clube, a reunião foi marcada pela admissão de três diretores independentes no recém-formado comitê de auditoria: Gilbert Saada, Victoria Wescott e…sim, o onipresente Stephen Welch.

O enigma está desfeito. As mudanças no organograma da empresa proporcionam um controle adicional das finanças do clube, por meio de um órgão interno independente. Ao aumentar a transparência, o novo comitê torna mais difícil uma manobra contábil, digamos, pouco usual.

Trocando em miúdos, Michelle Kang, diretora-geral do Lyon, fez alterações que diminuem o seu próprio poder; ou o de outros que venham a assumir o cargo.

Diga-se, a propósito, que essas restrições não se originam de qualquer pressão interna. A atual Administração goza de prestígio junto a associados e torcedores. O Lyon é primeiro na Liga Europa e quarto na Ligue 1. Acabou de completar uma sequência de oito vitórias, recorde interno. Seu treinador, Paulo Fonseca, que já ocupava o cargo na era Textor, afirmou em recente entrevista que o clube está agora em seu “ano zero”.

Depois de fechar a temporada passada com um prejuízo de 200 milhões de euros, escapando do rebaixamento graças a um aporte de 100 milhões em garantias feito por Kang e pela Ares, o Olympique Lyonnais vai acertando os ponteiros financeiramente, sem perder o protagonismo; e sem que os novos diretores apareçam nas manchetes de escândalo.

Responsabilidade, gestão transparente, finanças auditadas. Algum dirigente sério teria razão para temer esse estilo de governança?

A tempestade passou no Lyon, ao menos por enquanto. A Eagle, contudo, permanece assombrada por litígios cada vez mais graves, que ameaçam a gestão financeira do Botafogo.

Qual a saída? Talvez um pouco de inspiração francesa nos ajude, neste momento difícil.

Um detalhe final: a resolução número 8 da Assembleia de ontem aprovou um jeton de dois milhões de euros para John Textor, apesar dos protestos de um grupo de sócios minoritários.

Michelle Kang abriu mão de qualquer remuneração no atual exercício.

Sem mais palavras.

 

Rodrigo Rosa trabalha pro bono para a Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br

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