Os chineses criaram tradicionalmente um modelo de tortura física denominado Técnica dos Mil Cortes, um cruel procedimento usado em execuções na época dos Imperadores. Tenho sérias suspeitas de que a Diretoria da SAF se baseou nele para torturar os nossos torcedores com a Técnica dos Mil Erros.
Não há outra explicação para o que vem sendo feito em 2025. A coisa já começou a ficar estranha quando, no início do ano, Thairo Arruda, manager da holding, anunciou que o ano seria dedicado aos investimentos em infraestrutura. Não vimos nem isso. Será que os desvios de verbas em 2024 e a turbulência nos bastidores da Eagle já não estavam por trás dessa declaração?
O fato é que, com a vitória do Mirassol sobre o Fluminense ontem, e a derrota acachapante para o Internacional no sábado, nosso time deixou o G4, ocupando agora a quinta colocação do Brasileiro, empatado em pontos com o Bahia, mas com um jogo a mais. Fluminense, embalado desde que Zubeldia assumiu o comando técnico, e São Paulo vem na cola do G6.
Na última rodada, um erro crasso de leitura de jogo provocou o desastre. Ancelottinho já assumiu publicamente a responsabilidade. Não cabe discussão. O caso é que esse é apenas uma mostra de um rol de equívocos que o italiano vem acumulando desde que chegou ao clube. O retrato de um ano inglório.
Escolhas confusas de técnicos, troca constante de jogadores, apostas duvidosas, vendas e revendas, mandos e desmandos, manobras contábeis, crise de comando, brigas judiciais, assembleias espúrias, alianças pouco transparentes, guerra de liminares; a lista é grande, cansativa, e encheria não só muitas páginas, como a paciência do leitor.
Vamos esmiuçar o principal. O Botafogo contratou no meio do ano uma penca de jogadores reservas de times da Europa em fim de temporada. A adaptação de atletas nessas condições pode levar meses. O que faz a Diretoria da SAF para ajudar no processo? Contrata uma Comissão Técnica totalmente sem experiência. Um procedimento desse tipo tem chances reduzidíssimas de dar certo. Não deu. O time vem desaprendendo a jogar rodada por rodada.
Chegamos ao cúmulo de contratar uma jovem promessa da Colômbia que, entre lesões e convocações, atuou por cerca de dez minutos até agora! O caso de Jordan Barrera é emblemático. A Direção parece mais preocupada em pôr jogadores na vitrine de competições internacionais do que em promover a ascensão do clube. Uma atitude imediatista e pouco inteligente. A eliminação precoce nas competições deste ano trouxe prejuízos de caixa. Se ficarmos fora da Libertadores em 2026, quanto mais perderemos?
Vamos confessar o óbvio. O Botafogo é uma nau à deriva. Acha a afirmação exagerada,? Então me responda rápido: quem estará à frente da SAF em 2026? Com que recursos? Ainda faremos parte da Eagle? Haverá novos investidores?
Não dá para cravar uma resposta. Tudo é incerto, tudo é nebuloso. Enquanto a situação permanece indefinida, os erros se sucedem.
Manter o atual treinador no cargo é arriscado. Demiti-lo sem recursos para contratar um nome de peso pode ser igualmente perigoso. Em resumo, errar é fácil. Consertar o erro custa às vezes muito tempo. E tempo é algo que já não temos.
Estamos na parada da data Fifa. O clássico contra o Flamengo se aproxima. O rubro-negro precisa da vitória para se manter na briga pelo título.
Que os deuses inspirem a equipe e a Comissão Técnica nesses dias tempestuosos. E, por favor, que a Diretoria pare de nos torturar com os seus desmandos.
Depois de tantas décadas de sofrimento, o torcedor do Botafogo não merece ser tratado assim.
Rodrigo Rosa é adepto da milenar técnica da Nova Escrita http://www.novaescrita.art.br









