Uma crise sem precedentes abalou os bastidores da Eagle Football Holding nos últimos dias. No centro dela, John Textor, empresário americano e atual controlador da SAF Botafogo, quase perdeu o comando do Glorioso após uma tentativa articulada por novos acionistas da holding, liderados pela Ares Management e Michele Kang, presidente do Lyon. No entanto, uma reação contundente de dentro do clube carioca reverteu o cenário e reafirmou a liderança de Textor no projeto que transformou o Botafogo nos últimos anos.
Carta de lealdade unifica a SAF e o clube associativo
O movimento para destituir John Textor foi liderado por acionistas da Eagle Football que assumiram o controle do Lyon. Incomodados com a dívida não quitada referente à aquisição do clube francês em 2022, esses grupos tentaram assumir o controle total da holding. No entanto, o Botafogo rapidamente reagiu. O presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, junto ao vice-presidente André Silva, emitiu um documento técnico enfatizando que qualquer mudança na estrutura da SAF dependeria do aval do clube social, que ainda detém 10% da participação.
Mais impactante ainda foi a carta enviada pela alta cúpula da SAF Botafogo. Assinada por 21 executivos, incluindo o CEO Thairo Arruda e o diretor de futebol Alessandro Brito, o documento foi batizado internamente de “carta de lealdade” e expressou apoio irrestrito a John Textor. A carta não só reafirmou os valores que ele trouxe ao clube, como também ameaçou renúncia coletiva caso o empresário fosse afastado do cargo.
“Se John for forçado a sair, sairemos com ele. Sem ele, não há razão para permanecer”, diz um dos trechos da carta, acessada pelo Insider Botafogo. Os dirigentes destacaram que o trabalho de Textor foi crucial para ressuscitar o Botafogo de um cenário de quase falência para um novo patamar esportivo e financeiro.
Os números que justificam a fidelidade a Textor
O apoio dos executivos não veio apenas por laços emocionais, mas também por resultados concretos. Sob a liderança de John Textor, o Botafogo saiu da Série B para conquistar a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro em 2024. Além dos títulos, o clube registrou crescimento significativo em sua estrutura e receitas.
Entre os feitos citados na carta, estão:
- Redução da dívida de R$ 1,2 bilhão para R$ 500 milhões por meio de negociações e soluções jurídicas inovadoras;
- Receita saltando de R$ 140 milhões em 2021 para R$ 719 milhões em 2024, com expectativa de novo recorde em 2025;
- Exposição de mídia avaliada em R$ 3 bilhões em 2025, com impacto direto na marca;
- O estádio Nilton Santos transformado em arena multifuncional com gramado sintético, gerando receitas paralelas com shows e eventos internacionais;
- Plano ambicioso de construção de um novo estádio com capacidade para 40 mil torcedores e um centro de treinamento de ponta, com seis campos e tecnologia de elite para formação de atletas.
Essas conquistas, segundo os executivos, não seriam possíveis sem a visão de longo prazo e o investimento – financeiro e emocional – feito por Textor no clube.
Clube associativo reafirma protagonismo e bloqueia ofensiva externa
Além do apoio da SAF, o clube associativo do Botafogo teve papel decisivo na proteção institucional da SAF. Com 10% de participação no contrato, o clube social tem poder de veto sobre mudanças estratégicas, conforme cláusulas contratuais assinadas na criação da Sociedade Anônima de Futebol. Ao enviar uma carta separada aos acionistas da Eagle Football, o presidente João Paulo Magalhães Lins deixou claro que a tentativa de afastar Textor violava o acordo legal firmado com o Botafogo FR.
A união entre SAF e clube associativo frustrou os planos dos acionistas da Ares Management, que viam o controle de Textor como um obstáculo à reestruturação da holding. Sem o apoio interno do Botafogo e sem maioria no conselho, a tentativa foi abortada.
Textor fala em “família” e projeta futuro com a Eagle Football Group
Após o episódio, John Textor se manifestou ao jornal “O Globo”, agradecendo o apoio recebido e reforçando seu laço com o Botafogo: “Todos sabem que fui escolhido para o Botafogo e é onde me sinto mais em casa. No Brasil somos incentivados a sonhar, somos livres para inovar e ainda temos muitos troféus para conquistar”.
O empresário agora direciona seus esforços para a consolidação da Eagle Football Group, nova holding sediada nas Ilhas Cayman. O plano é recomprar o Botafogo e o RWDM Brussels, estabelecendo uma estrutura mais enxuta e independente das pressões do grupo anterior, especialmente da Ares e do entorno do Lyon.
Para a torcida, a mensagem que fica é clara: o projeto continua. A tempestade passou, e o Glorioso permanece firme em sua reconstrução. A carta de lealdade não foi apenas uma defesa de John Textor, mas uma afirmação do novo Botafogo: moderno, unido e determinado a seguir no topo.
Fonte: Insider Botafogo e GE









